Crítica da série brasileira Vermelho Sangue, do Globoplay (2025)

‘Vermelho Sangue’: quando a ousadia não basta para salvar a série

Foto: Divulgação / Globoplay
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“Vermelho Sangue”, a mais recente aposta do Globoplay, chega ao streaming com a ambição de preencher o vazio deixado pela extinta Malhação, trazendo ao público jovem uma mistura de fantasia, romance e críticas sociais.

Com lobisomens, vampiros e uma forte carga de brasilidade, a série tenta construir um universo próprio, combinando elementos clássicos do sobrenatural com temas contemporâneos relevantes para a Geração Z.

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Sinopse

A história acompanha Luna (Letícia Vieira), uma jovem que se muda para Guarambá, uma cidade fictícia no Cerrado Mineiro, conhecida como o refúgio do lobo-guará. Luna é uma “lobimoça” que busca entender e controlar sua transformação, enquanto sua mãe tenta encontrar uma cura para sua condição.

Na cidade, Luna se envolve com Flora (Alanis Guillen), num romance que desafia convenções, e enfrenta o mistério dos vampiros Celina (Laura Dutra) e Michel (Pedro Alves), que atuam disfarçados numa trama que mistura política, ciência e poderes sobrenaturais.

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Crítica

A principal conquista de Vermelho Sangue está na ousadia de trazer para o imaginário nacional um protagonista cujo mito é o lobo-guará, um animal típico do Brasil, incorporando a mitologia local em vez de repetir fórmulas estrangeiras.

A ambientação no Cerrado mineiro, com locações como o Santuário do Caraça, reforça a identidade visual e temática da série, criando uma atmosfera única que casa bem com o tom místico e soturno, ainda que a narrativa nem sempre mantenha esse ritmo.

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Romance e representatividade como coração da trama

O relacionamento entre Luna e Flora ganha destaque pela sensibilidade e pelo cuidado com que aborda o amor entre duas jovens, trazendo delicadeza e realismo a uma história de autodescoberta e aceitação. Essas cenas se tornam o motor emocional da série, mostrando a maturidade dos temas trabalhados, ainda que a série se situe num universo de fantasia juvenil.

Apesar da premissa atraente, a série tropeça em dificuldades para manter o público conectado. A narrativa peca por um roteiro, às vezes, raso e previsível, com diálogos que soam forçados e uma tensão dramática que dificilmente se sustenta. Personagens como o vampiro Michel carecem de expressividade, e a sucessão de eventos tende a ser banal, o que compromete o envolvimento e o suspense que uma trama sobrenatural deveria oferecer.

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Qualidade visual e crítica social

Visualmente, Vermelho Sangue demonstra qualidade incomum para a produção brasileira no gênero, com bons efeitos especiais e uma direção de arte caprichada que valoriza as belezas naturais do interior de Minas Gerais e um clima sombrio coerente com o universo fantástico da série. Essa competência técnica compensa certas falhas narrativas, mantendo o espectador interessado.

Além do entretenimento, a série acerta ao incluir debates sobre bioética, poder, ancestralidade e diversidade, usando a fantasia como metáfora para a realidade atual, em especial no que tange ao preconceito e à busca por pertencimento.

A presença da curandeira Barbina (Bete Mendes) adiciona profundidade cultural e espiritual, colocando a produção como uma voz importante na discussão de valores contemporâneos ligados à ciência e à cultura popular brasileira.

Conclusão

Vermelho Sangue assume o risco de ser uma série híbrida que une o romance juvenil à fantasia e ao terror, com uma boa dose de brasilidade e modernidade. Apesar de algumas limitações no roteiro e na força das atuações, o esforço em criar um universo original com cara e sotaque brasileiros, aliado à representatividade e à crítica social, faz de Vermelho Sangue uma produção que merece atenção, sobretudo para o público jovem.

Essa estreia é um passo significativo para o audiovisual nacional, que se reinventa e busca seu espaço no mercado competitivo do streaming. Com uma segunda temporada confirmada, a série tem potencial para evoluir e solidificar sua importância na ficção brasileira.

Onde assistir à série Vermelho Sangue?

A série está disponível para assistir no Globoplay.

Quem está no elenco de Vermelho Sangue, do Globoplay?

  • Alanis Guillen
  • Heloísa Jorge
  • Laura Dutra
  • Leticia Vieira
  • Pedro Alves
  • Rodrigo Lombardi
  • Lucas Leto
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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