‘O Último Azul’ filme com Rodrigo Santoro é aplaudido durante estreia no Festival de Berlim 2025

‘O Último Azul’: drama brasileiro discute etarismo e muito mais

Filme brasileiro foi premiado no Festival de Berlim

Foto: Guilhermo Garza / Vitrine Filmes / Divulgação
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São tantas camadas a serem discutidas em “O Último Azul” que uma crítica é pouco. Com a parte mais visível do filme sendo o etarismo, o longa-metragem dirigido por Gabriel Mascaro e com roteiro do próprio e Tibério Azul acrescenta à mistura distopia, citações à história do cinema, comodismo e burocracia estatal com pitadas de lirismo e poesia.

Com a força do nome de Rodrigo Santoro nos letreiros, o ator é apenas uma parada na jornada de Tereza (Denise Weinberg), uma idosa que tenta apenas levar uma vida medíocre. Porém, vivendo em um Brasil totalitário, ela está quase na idade de ser mandada para a “colônia”, um lugar onde pessoas de terceira idade são alocadas para terem melhores “cuidados”.

Ao aproximar-se da idade, Tereza já sente o tratamento da população e de funcionários públicos mudarem com ela. A identidade é pré-requisito até para tomar um açaí, e ela tem pouco tempo para realizar sonhos dos quais ela nem sabia da existência, sempre sendo bloqueada pela tutela da filha, mesmo sendo ainda totalmente capaz de tomar decisões. 

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Sinopse

Situada numa cidade industrializada na Amazônia, a trama explora um Brasil quase distópico, onde o governo transfere idosos para uma colônia habitacional. Lá, eles vão vão “desfrutar” seus últimos anos de vida, enquanto a juventude produtiva do país trabalha sem se preocupar com os mais velhos.

Antes de seu exílio compulsório, Tereza, uma mulher de 77 anos, embarca em uma jornada pelos rios e afluentes da região jornada para realizar seu último desejo, algo que pode mudar seu rumo para sempre.

Uma aventura sobre resistência e amadurecimento ao longo dos rios da Amazônia, o filme foi extremamente aplaudido durante a estreia mundial na Berlinale, no dia 16 de fevereiro deste ano, e premiado o Urso de Prata no Festival.

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Crítica

A busca por vida dá o tom em toda a narrativa da protagonista, numa espécie de antítese de “Apocalipse Now”. Se no filme de Coppola subir o rio significava descobrir os horrores que a humanidade cometia, em “O Último Azul” é a esperança de viver plenamente que motiva Teresa a se manter em constante movimento. O marasmo de sua vida pregressa acumulou uma sede de aventura de alguém que chegou ao ponto de não ter nada a perder.

A interpretação de Weinberg é sóbria, como esperamos de idosos que realmente alcançaram alguma sabedoria. Ela não discute, quase nunca explode quando esbarra em obstáculos, e é uma força da natureza em busca de significado e sensações das quais se privou por décadas.

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Crítica do filme brasileiro O Último Azul, com Rodrigo Santoro (2025) - Flixlândia
Foto: Vitrine Filmes / Divulgação

Em seu caminho, Tereza vai encontrando personagens que também vivem à margem do Estado Totalitário em questão, buscando aquela fagulha de vida que o cotidiano rouba um pouco de todos nós.

Nome mais conhecido do público, Santoro interpreta Cadu, um marinheiro que foge das autoridades, e acaba ensinando uma coisa ou outra à Teresa, mas ele é apenas um de todos os personagens que a protagonista vai interagindo pelo caminho. 

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Conclusão

Com um roteiro enxuto, deixando em aberto questões que uma parte do público poderia até saber mais, um elenco brilhante e o sempre incrível cenário amazônico, “O Último Azul” é candidato a muitos prêmios para somarem-se ao Urso de Prata de Berlim deste ano. 

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Onde assistir ao filme O Último Azul?

O filme estreia nos cinemas brasileiros em 28 de agosto de 2025.

Assista ao trailer de O Último Azul (2025)

YouTube player

Além de Rodrigo Santoro, quem está no elenco de O Último Azul?

  • Denise Weinberg (Tereza)
  • Rodrigo Santoro (Cadu)
  • Miriam Socarrás (Roberta)
  • Adanilo (Ludemir)
  • Rosa Malagueta (Esmeraldina)
  • Clarissa Pinheiro (Joana)
  • Dimas Mendonça (Ivan)
  • Daniel Ferrat (Bruno)
  • Heitor Lóris (Daniel)
Escrito por
Marcelo Fernandes

Jornalista, músico diletante, produtor cultural e fã de guitarras distorcidas e bandas obscuras.

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