Leia a crítica do filme O Último Rodeio (2025) - Flixlândia

Recheado de clichês, ‘O Último Rodeio’ funciona apenas para um público específico

Foto: Paris Filmes / Divulgação
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“O Último Rodeio” chega ao cinema com a promessa de uma história inspiradora de superação, família e fé, ambientada no universo pouco explorado das competições de montaria em touros.

Dirigido por Jon Avnet e estrelado por Neal McDonough, o filme propõe uma reflexão sobre redenção pessoal e os laços afetivos, ainda que mergulhado em uma narrativa previsível.

A produção pretende atingir especialmente o público que valoriza filmes com mensagens positivas e vínculos espirituais, mas acabando por revelar fragilidades em seu roteiro e execução técnica.

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Sinopse

Joe Wainright (Neal McDonough) é um ex-campeão de rodeio que se afastou do esporte após sofrer um acidente grave que comprometeu sua carreira, além de lidar com a perda da esposa. Ao saber que seu neto Cody enfrenta um tumor cerebral e precisa urgentemente de cirurgia cara, Joe decide voltar à arena. O desafio é participar de um torneio lendário em Tulsa cujo prêmio de 750 mil dólares seria suficiente para o tratamento.

No entanto, essa decisão reabre feridas do passado: a sequência traumática do acidente, a luta contra fantasmas pessoais e o relacionamento conturbado com a filha Sally (Sarah Jones). Com o apoio do amigo e ex-companheiro Charlie (Mykelti Williamson), Joe precisa confrontar seus limites para salvar a família.

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Crítica

A narrativa segue a estrutura tradicional do drama esportivo e de fé: um protagonista resiliente enfrenta adversidades físicas e emocionais para salvar quem ama, reaprendendo valores e reconquistando a si mesmo. Embora esse formato seja consagrado, O Último Rodeio não surpreende, abusando de arquétipos e tropos previsíveis.

O roteiro, assinado por Avnet, McDonough e Derek Presley, opta por uma exposição direta e pouco sutil, entregando diálogos que muitas vezes soam como “explicativos” demais — menos desenvolvendo os personagens, mais recitando fatos para o público.

A história falha em aprofundar conflitos internos e relações, especialmente a ligação entre Joe e a filha, que parece subdesenvolvida e pouco emotiva, fato ressaltado por algumas críticas à atuação de Sarah Jones. O drama médico envolvendo o neto, embora seja o motor da motivação, é tratado de modo superficial, o que reduz o impacto emocional da trama.

O cronograma acelerado da preparação e retorno de Joe à competição compromete a verossimilhança. Diferente de clássicos como Rocky, não há um treino gradativo que envolva o espectador.

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Direção e ambientação: realismo parcial com ritmo irregular

Jon Avnet demonstra competência na condução da narrativa, equilibrando cenas intimistas com os momentos de rodeio. Os cenários rurais do interior do Texas e Oklahoma são bem escolhidos, porém a fotografia tende ao cinza e ao melancólico sem grandes variações, contribuindo para um clima sombrio que nem sempre se traduz em densidade ou emoção — em muitos momentos, o tom esbarra na monotonia.

As sequências de montaria são palpáveis e bem coreografadas, trazendo autenticidade às cenas esportivas. Contudo, a ambientação da cultura do rodeio peca pela superficialidade: a vivência, os sons, o calor da comunidade e as nuances do esporte não são explorados com profundidade, tornando o universo apresentado pouco atrativo e preguiçoso em detalhes. Essa falta de imersão deixa a impressão de que o filme não aproveitou a oportunidade de apresentar essa subcultura de modo fascinante.

Além disso, o ritmo irregular, sobretudo no primeiro ato, com segmentos lentaços, compromete a concentração do espectador. O filme se estende mais do que deveria, com momentos que poderiam ser mais enxutos para manter o interesse.

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Atuações e personagens: brilho pontual entre sombras

Neal McDonough protagoniza com segurança, imprimindo carisma e uma certa humanidade ao seu Joe Wainright. Ele é o fio condutor do filme e seu envolvimento no roteiro permite um mergulho pessoal na construção do personagem, ainda que este seja um herói modelo, com pouca complexidade. McDonough transmite a vulnerabilidade necessária para que o público simpatize com a jornada, compensando falhas do texto.

O elenco de apoio surpreende em boa parte: Mykelti Williamson como Charlie traz equilíbrio e química com o protagonista, representando a amizade leal e o suporte emocional. Sarah Jones e Graham Harvey (o neto) convencem na dinâmica familiar, mesmo que seus personagens careçam de profundidade que os tornaria mais memoráveis. Já Christopher McDonald e Irene Bedard acrescentam boas pontuações em papéis menores.

A participação de peões profissionais contribui para a autenticidade técnica das cenas de rodeio, embora a falta de entrosamento em momentos dramáticos crie uma certa estranheza.

Temas e mensagem: fé, amor e redenção sem didatismo

O filme é claramente voltado a um público que valoriza o cinema de inspiração religiosa, mas a percussão religiosa é discreta, presente mais em gestos e símbolos do que em discursos ou pregações explícitas. Essa decisão talvez evite alienar espectadores não religiosos, mas também enfraquece a possibilidade de uma mensagem mais forte e transformadora.

Ao priorizar valores universais como amor, coragem, sacrifício e superação, O Último Rodeio aposta em sua sinceridade e intencionalidade positiva. No entanto, a falta de uma abordagem mais ousada ou de nuances pode fazer com que o filme ressoe mais como um telefilme do que uma produção para o grande público.

Conclusão

O Último Rodeio é um drama familiar clássico, repleto de clichês e previsibilidade, que cumpre seu papel de emocionar e passar valores de fé e resiliência, mesmo sem grandes inovações cinematográficas. A direção segura de Jon Avnet e a atuação sólida de Neal McDonough garantem algum apelo, principalmente para o público que aprecia histórias inspiradoras e filmes com mensagem espiritual.

Por outro lado, o ritmo lento, o roteiro superficial, a falta de profundidade dos personagens e o tratamento pouco autêntico da cultura de rodeio limitam seu impacto e potencial. É um filme que vale mais como experiência afetiva e familiar do que como obra artística memorável.

Para aqueles que buscam entretenimento leve e edificante, especialmente em ambiente religioso, pode ser uma escolha válida; para os cinéfilos em busca de inovação e narrativa mais robusta, acaba ficando aquém.

Onde assistir ao filme O Último Rodeio?

O filme estreia nesta quinta-feira, 16 de outubro de 2025, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Quem está no elenco O Último Rodeio (2025)?

  • Neal McDonough
  • Mykelti Williamson
  • Sarah Jones
  • Graham Harvey
  • Christopher McDonald
  • Daylon Swearingen
  • Irene Bedard
  • Matt West
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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