Projeto Internato The Internship crítica do filme 2026

‘Projeto Internato’ entrega ação frenética, mas escorrega no roteiro

Foto: Divulgação
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Sabe aquele filme que tenta misturar as tramas complexas de espionagem governamental com a energia caótica de jovens rebeldes armados até os dentes? Pois é, Projeto Internato tenta se equilibrar exatamente nesse meio-campo. Dirigido por James Bamford, o longa nos apresenta uma premissa com bastante potencial, quase como uma mistura de clássicos de ação com uma fantasia mais voltada para a Geração Z.

Com um elenco encabeçado por Lizzy Greene e a participação de veteranos saudosos da série Strike Back, o filme já está disponível nos catálogos do Paramount+ e do Prime Video, prometendo ser uma montanha-russa visual. Mas será que a execução faz jus à promessa?

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Sinopse

A história foca em um programa ultrassecreto, criado sob o comando da CIA por um homem chamado Henry Bone. A ideia do projeto era assustadora: roubar crianças de suas famílias e transformá-las em assassinos perfeitos, treinando-as desde cedo para sobreviver a temperaturas extremas e operar quase sem oxigênio, suprimindo o medo e a dor. Quando o programa dá terrivelmente errado e é encerrado, os jovens – chamados de “internos” – acabam abandonados e espalhados pelo mundo.

Anos depois, esses sobreviventes passam a ser caçados implacavelmente tanto pelo alto escalão russo da FSB quanto pela própria inteligência americana. O pontapé inicial do conflito acontece quando Ren James, que atende pelo codinome Catalyst (Lizzy Greene), invade a sede russa para roubar arquivos confidenciais do programa. Ela decide convocar mais cinco colegas da época do treinamento (cada um com uma habilidade letal diferente) para lutar contra o sistema que arruinou suas infâncias.

Paralelamente, a mãe biológica de Catalyst, a agente Dining (Megan Boone), tenta rastrear e salvar a filha em meio a um banho de sangue envolvendo traições, ex-agentes da CIA e assassinos russos.

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Crítica do filme Projeto Internato

Ação estilizada e o efeito “videogame”

Se o seu objetivo é ver tiros, porradaria e manobras táticas, Projeto Internato não decepciona nas primeiras impressões. O diretor James Bamford, que tem bagagem como dublê, capricha em trazer coreografias de combate que lembram muito o estilo do icônico John Woo, colocando a protagonista atirando com duas armas ao mesmo tempo e dizimando hordas de capangas. A violência gráfica não economiza, com uma quantidade insana e específica de tiros na cabeça durante os confrontos.

No entanto, a direção erra feio a mão na hora de dosar esse estilo. O longa abusa de câmeras lentas, cortes muito frenéticos e truques visuais que logo deixam de ser legais para se tornarem repetitivos e artificiais. A sensação que fica em várias cenas é que o peso dramático foi totalmente substituído por uma estética pura de videogame, onde os personagens ignoram dores extremas ou ferimentos fatais para simplesmente passar para a “próxima fase” atirando.

Projeto Internato 2026 The Internship crítica do filme
Foto: Divulgação

Roteiro: muitas ideias, zero lógica

A maior barreira para se conectar de verdade com o filme é o roteiro frágil e desconexo assinado por J.D. Zeik. O longa traz à mesa discussões ótimas sobre trauma infantil, liberdade e manipulação moral, mas simplesmente varre tudo para debaixo do tapete a fim de focar em cenas de tiroteio e diálogos genéricos cheios de frases de efeito. Há momentos na história que beiram o absurdo, como quando a protagonista entra furtivamente em um complexo de segurança máxima na Rússia, rouba um pedaço de papel preenchido à caneta, e decide sair pela porta da frente fuzilando mais de 20 homens armados como se estivesse passeando em um shopping.

Para piorar, as grandes reviravoltas da narrativa, como a revelação de um agente infiltrado (um espião duplo na CIA), acabam criando muito mais furos lógicos do que surpresa. Fica parecendo um filme focado em uma fantasia apelativa de “Spy Babies” (bebês espiões), onde tudo soa muito conveniente, as agências governamentais parecem incompetentes e velhas táticas de investigação são substituídas por golpes de sorte inexplicáveis.

Elenco segura as pontas

No meio desse caos, os atores são os que mais se esforçam para tornar a experiência palatável. Lizzy Greene veste muito bem a camisa de super-assassina e impõe um ritmo “badass” que domina a tela. Do outro lado, Megan Boone faz o que pode com a agente Dining, embora a montagem deixe sua personagem de escanteio muito mais tempo do que deveria.

O elenco de apoio tem seus brilhos, como Alix Villaret, que esbanja carisma e técnica afiada no papel de Dagger (uma especialista em combate com facas), e a curta, mas marcante, aparição de Charlotte Weston. Por fim, para a alegria dos fãs saudosos, a aguardada reunião de tela de Sullivan Stapleton e Philip Winchester empresta ao longa um necessário peso de veteranos durões, estabilizando um pouco o excesso de energia teen da produção.

Projeto Internato é bom?

No fim do dia, Projeto Internato está longe de ser lembrado como um clássico ou de trazer grande originalidade para o gênero de espionagem. Se você for assistir esperando coerência, desenvolvimento profundo de personagens ou realismo tático, provavelmente vai terminar a sessão extremamente frustrado.

Contudo, nem tudo está perdido. A produção entrega um entretenimento acelerado que cumpre bem o papel daquele “filme pipoca de domingo à tarde”. Se você topar entrar na brincadeira, abraçar o absurdo da história e apenas curtir uma molecada espiã trocando socos e descarregando armamento pesado contra o sistema governamental, vai conseguir se divertir e relaxar a mente pelas próximas uma hora e meia.

Onde assistir ao filme Projeto Internato?

  • Paramount+
  • Prime Video (aluguel/compra)

Trailer de Projeto Internato (2026)

YouTube player

Elenco do filme Projeto Internato

  • Lizzy Greene
  • Megan Boone
  • Sky Katz
  • Philip Winchester
  • Sullivan Stapleton
  • Alix Villaret
  • Ollie Roddy
  • Charlotte Weston
  • Kaine Buffonge
  • Errol Trotman-Harewood

Ficha Técnica

  • Título Original: The Internship
  • Data de Lançamento: 13 de junho de 2026 (Brasil)
  • Direção: James Bamford
  • Roteiro: J.D. Zeik (história de Steven Paul)
  • Duração: 92 minutos
  • Gênero: Ação, Suspense
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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