Se o Superman é o grande escoteiro idealista da DC, sua prima Kara Zor-El joga por outras regras: verdade, justiça e tanto faz. Sob a direção certeira de Craig Gillespie (Eu, Tonya), Supergirl (2026) se afasta do heroísmo clássico de Metrópolis para entregar uma aventura de ficção científica leve, divertida e com um inegável frescor.
Com uma energia de “filme de domingo” — perfeito para assistir com a família —, a obra mistura a grandiosidade de Star Wars com a essência de um road movie feminino, ancorada pelo imenso carisma de sua protagonista.
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A anti-heroína e o Thelma & Louise intergaláctico
O longa já começa quebrando expectativas. Encontramos Kara (Milly Alcock, que já havia brilhado em A Casa do Dragão) de ressaca, vivendo isolada com seu cachorro Krypto e buscando planetas com sóis vermelhos apenas para anular seus poderes e conseguir encher a cara como uma pessoa normal.
Diferente de Kal-El, que chegou à Terra bebê, Kara viu sua cultura e sua mãe, Alura In-Ze, morrerem lentamente em um fragmento sobrevivente de Krypton. Ela é cínica, traumatizada e foge de responsabilidades.
Tudo muda quando o caminho dela cruza com o de Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley), uma jovem sobrevivente que busca vingança contra Krem das Colinas Amarelas (Matthias Schoenaerts), o criminoso que massacrou sua família e roubou as espadas de seu pai. A relutância inicial de Kara em ajudar se transforma em uma parceria genuína.
A química entre as duas constrói um verdadeiro Thelma & Louise espacial. Alcock entrega uma Supergirl carismática, engraçada e que fica incrivelmente bem no traje, segurando o filme com leveza.
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Crítica do filme Supergirl com spoilers (2026)
A ameaça, o peso social e a verdadeira justiça
A motivação de Kara para entrar na caçada não nasce de um grande senso de justiça, mas de um instinto de proteção: Krem invade a nave da kryptoniana e injeta uma toxina letal em Krypto, dando ao supercão apenas 72 horas de vida.
A partir daí, o filme acelera pelas estrelas e, mesmo sendo uma aventura divertida, não foge de temas pesados. A trama carrega uma forte e muito bem-vinda aura feminista.
Os Bandoleiros, o grupo de Krem, viajam pelos sistemas estelares sequestrando mulheres, traçando um paralelo direto e contundente com o tráfico humano. No meio dessa perseguição, temos a aguardada aparição de Jason Momoa como Lobo.
O caçador de recompensas cruza o caminho das protagonistas algumas vezes, mas sua presença funciona muito mais como um fan service divertido do que como uma peça fundamental para a narrativa. O brilho da ação e da resistência fica mesmo com as mulheres escravizadas, que acabam se rebelando.
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Espetáculo visual e quebra de estereótipo
A batalha final é um espetáculo visual que ocorre em um planeta hostil iluminado por dois sóis: um verde, que envenena Kara, e um amarelo. A dinâmica de sobrevivência até que o sol verde se ponha gera uma ótima tensão, culminando no retorno triunfal dos poderes da heroína.
Porém, o grande acerto do filme está em sua resolução moral. Após derrotar brutalmente os Bandoleiros, Ruthye finalmente tem a chance de degolar Krem. Kara a convence a não fazer isso, argumentando que carregar o peso de um assassinato não apagará sua dor. A jovem chora e poupa o vilão.
No entanto, em uma quebra total do estereótipo do herói tradicional, assim que Ruthye vira as costas, Kara atravessa Krem com a espada. Ela suja as próprias mãos e carrega esse fardo cruel justamente para proteger a alma e a inocência da amiga.
Supergirl 2026 vale a pena?
Supergirl é uma grande aventura sci-fi que sabe equilibrar boas piadas, ótimas cenas de ação e uma mensagem social pertinente. O desfecho, com Kara finalmente retornando à Terra, reencontrando Clark Kent e decidindo parar de fugir do seu passado, encerra o ciclo de forma satisfatória.
É uma prova de que a DC encontrou o tom certo para explorar o lado mais humano, falho e fascinante de sua garota de aço.
Onde assistir ao filme da Supergirl 2026
O filme estreia nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.
Trailer do novo filme da Supergirl
Elenco de Supergirl (2026)
- Milly Alcock (Kara Zor-El)
- Eve Ridley (Ruthye Marie Knoll)
- Matthias Schoenaerts (Krem)
- Jason Momoa (Lobo)
- David Corenswet (Superman)
- Diarmaid Murtagh (Drom Baxton)
- Ferdinand Kingsley (Elias Knoll)
- Emily Piggford (Delilah Knoll)
Ficha Técnica: Supergirl 2026
- Título Original: Supergirl
- Direção: Craig Gillespie
- Roteiro: Ana Nogueira (baseado na obra de Tom King e Bilquis Evely)
- Gênero: Ficção Científica / Drama / Super-herói
- Estúdio/Distribuição: DC Studios / Warner Bros. Pictures
- Universo: DCU (Universo DC de James Gunn)















