cena do episódio 8 da temporada 5 de Trying

Final da 5ª temporada de ‘Trying’ é um abraço quentinho com sabor de recomeço

Foto: Apple TV / Divulgação
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Se você acompanha Trying, sabe muito bem que a série é aquela raridade que consegue arrancar lágrimas e risadas com a mesma facilidade, sem nunca apelar para o dramalhão barato. E o episódio final da quinta temporada, intitulado “WoodScott”, é a prova definitiva de que essa comédia dramática da Apple TV só melhora com o tempo.

Criada e escrita por Andy Wolton, com seus rápidos 32 minutos de duração, a produção amarra os principais nós emocionais da temporada, mas nos deixa com aquela sensação gostosa de que a história dessa família está apenas começando.

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A maturidade emocional de Nikki e Jason sob teste

Nesta temporada, o relacionamento de Nikki (Esther Smith) e Jason (Rafe Spall) passou por um de seus testes mais reais e complexos. Não foi um conflito bobo fabricado para gerar drama artificial; foi sobre inseguranças profundas. Ver Nikki lidar com a tentação e o “crush” inocente por seu colega de trabalho Kerry (Colin Morgan) — admitindo que não corrigiu Jason quando ele assumiu que Kerry era uma mulher — foi doloroso, mas profundamente humano.

O grande diferencial de Trying sempre foi a capacidade do casal de conversar de verdade. Em vez de explodirem em acusações baratas, eles escolheram a vulnerabilidade. Como o próprio Rafe Spall comentou, eles são um casal aspiracional não porque são perfeitos, mas porque eles genuinamente se amam e, acima de tudo, gostam da companhia um do outro.

Eles enfrentam as crises rindo e conversando, mostrando que a estabilidade familiar é algo construído no dia a dia, e não um troféu conquistado no tribunal. A segurança de Nikki estava abalada pelo medo de ser deixada de lado enquanto as crianças crescem e seu papel de mãe muda, mas o desfecho só fortalece o laço entre eles.

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O mascote, a mochila e o desapego de Princess

O clímax emocional de “WoodScott” acontece durante o festival maluco idealizado por Scott (Darren Boyd). É nesse cenário caótico que a jovem Princess (Scarlett Rayner) protagoniza a cena mais bonita e de cortar o coração de toda a temporada. Acreditando estar desabafando com Nikki, que ela pensa estar vestida dentro da fantasia de mascote do festival, Princess confessa que ainda guarda a velha mochila que trouxe do abrigo sob a cama, pelo medo constante de nunca se sentir totalmente segura ou assentada.

A reviravolta é que quem está dentro da fantasia é Kat (Charlotte Riley), sua mãe biológica. Em vez de usar isso para criar um conflito possessivo, a série nos entrega um momento de puro altruísmo. Kat aconselha Princess a finalmente esvaziar e desfazer aquela mochila e seguir em frente. Esse gesto, antes de Kat partir para a Tailândia, não é apenas uma despedida dolorosa, mas sim uma permissão amorosa para que Princess se sinta, de uma vez por todas, em casa com Nikki e Jason. É uma libertação emocional fantástica. Na cena final, quando Princess desce as escadas sem aquele peso invisível nos ombros e se junta à mesa com sua família, fica claro que a busca pela mãe idealizada acabou. Ela se encontrou na família que escolheu lutar por ela todos os dias.

Um adeus que limpa o tabuleiro para o futuro

Além de resolver de forma brilhante a dinâmica com Kat, o final deixa ganchos excelentes. Jason passa a temporada inteira questionando sua capacidade para ser assistente social, chegando a cogitar desistir no final por achar que não leva jeito. Essa honestidade em mostrar que as pessoas falham e duvidam de si mesmas é o que torna a escrita de Andy Wolton tão brilhante.

Enquanto isso, a trilha sonora delicada conduzida por Orla Gartland, que nos presenteou com uma música original inédita por episódio, dá o tom perfeito de melancolia e esperança a cada cena. O episódio final não parece um ponto final definitivo, mas sim uma transição suave. Deixa o tabuleiro limpo para que os personagens cresçam em novas direções se uma sexta temporada for confirmada: seja vendo Jason de fato atuando na assistência social, ou quem sabe lidando com o ninho vazio caso Princess vá para a faculdade.

No fim, Trying encerra sua temporada com nota máxima, nos lembrando que família não é uma fórmula matemática exata, mas sim a disposição de continuar tentando, errando e se acolhendo no final do dia.

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Ficha técnica

  • Título do Episódio: “WoodScott” (Temporada 5, Episódio 8)
  • Série: Trying
  • Plataforma de Streaming: Apple TV
  • Criador e Roteirista: Andy Wolton
  • Duração: 32 minutos
  • Data de Lançamento: 26 de agosto de 2026
  • Classificação Indicativa: A12 / TV-14
  • Trilha Sonora Original da Temporada: Orla Gartland
  • Elenco Principal: Esther Smith (Nikki), Rafe Spall (Jason), Charlotte Riley (Kat), Scarlett Rayner (Princess), Cooper Turner (Tyler), Darren Boyd (Scott)
  • Estúdio de Produção: BBC Studios
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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