Confira a crítica do filme "Amizade", documentário brasileiro que estreou no dia 13 de março de 2025 nos cinemas.

‘Amizade’ é um retrato poético do tempo e dos laços que nos moldam

Foto: Embaúba Filmes / Divulgação
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O documentário brasileiro “Amizade”, dirigido pelo cineasta Cao Guimarães, é uma experiência cinematográfica que transcende o mero registro de momentos para se tornar uma reflexão profunda sobre o tempo, as relações humanas e a própria natureza do cinema.

O filme é uma colagem de memórias capturadas ao longo de três décadas. Através de uma narrativa poética e contemplativa, Guimarães constrói um mosaico afetivo que desafia o tempo e ressignifica o conceito de registro documental.

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Sinopse do filme Amizade

Cao Guimarães, cineasta e artista visual, documentou durante três décadas momentos ao lado de seus amigos – muitos deles também cineastas, artistas e intelectuais. Entre viagens, encontros casuais e registros do cotidiano, “Amizade” é um retrato íntimo do impacto dos relacionamentos na construção da identidade e na resistência à passagem do tempo.

O longa foi gravado em formatos variados, desde filmes Super-8 e 16mm até gravações de secretária eletrônica e videochamadas, criando um caleidoscópio visual e sonoro que evoca nostalgia e proximidade.

O fio condutor do documentário é uma viagem de Belo Horizonte a Montevidéu, realizada por Guimarães e seu amigo Beto Magalhães, produtor de grande parte de seus filmes. Durante o trajeto, registros do presente se entrelaçam com memórias do passado, reforçando a ideia de que a vida é um fluxo contínuo, onde o tempo se dobra e se refaz na lembrança.

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Crítica de Amizade (2025)

O que torna “Amizade” tão singular é a sua capacidade de transformar memórias em cinema. O documentário não é apenas um diário pessoal de Cao Guimarães, mas uma afirmação da importância dos vínculos afetivos em um mundo cada vez mais efêmero. Através de uma montagem fragmentada, o diretor propõe uma imersão sensorial, na qual cada cena – por mais banal que pareça – é carregada de significado.

A obra se insere em um contexto maior de um Brasil em constante transformação, refletindo sobre a transitoriedade da vida, a mutabilidade dos espaços e o impacto das mudanças sociais e tecnológicas. O filme ecoa uma resistência contra o esquecimento, um lembrete da importância de guardar aquilo que nos faz humanos.

Estilo visual e montagem: um mosaico de texturas

A variedade de formatos utilizados – do grão característico do Super-8 às imagens granuladas de gravações antigas – reforça a sensação de atemporalidade. Essa escolha estética dialoga com a imperfeição da memória, onde fragmentos se sobrepõem, se misturam e, muitas vezes, se tornam indistintos.

A montagem de “Amizade” segue um fluxo livre, sem uma estrutura convencional, reforçando a ideia de que as lembranças não seguem uma lógica linear. Esse formato pode causar estranhamento para quem espera uma narrativa tradicional, mas é justamente essa construção não-linear que torna o filme uma experiência sensorial e afetiva.

A influência de ‘Retratos Fantasmas’ e a poética das imagens

É quase impossível não estabelecer um paralelo entre “Amizade” e “Retratos Fantasmas”, de Kleber Mendonça Filho. Ambos os filmes exploram a relação entre o cinema e a memória, embora de maneiras distintas: enquanto Mendonça Filho investiga a transformação dos espaços urbanos, Guimarães mergulha no impacto do tempo nas relações humanas.

A diferença crucial está na abordagem: Guimarães trabalha a nostalgia de forma mais subjetiva, enquanto Mendonça Filho utiliza um olhar mais documental e analítico. Ainda assim, os dois compartilham a mesma essência: a importância de registrar o passado como forma de entender o presente.

Entre saudade e melancolia

A narração concisa de Cao Guimarães carrega uma melancolia palpável. Ao revisitar registros do passado, o diretor evoca a inevitável sensação de que o tempo escorre por entre os dedos. O filme provoca um sentimento agridoce – a alegria dos momentos compartilhados é acompanhada pela constatação de que nada é permanente.

Esse tom reflexivo se intensifica nos momentos em que a pandemia da Covid-19 aparece como pano de fundo. A súbita interrupção da convivência física reforça o valor dos encontros que, até então, pareciam banais. “Amizade” nos faz questionar o que restará de nós quando o tempo nos levar, e se os laços que construímos serão fortes o suficiente para atravessar as eras.

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Conclusão

“Amizade” é um filme para ser sentido mais do que interpretado. Cao Guimarães nos oferece um diário visual de três décadas, onde a passagem do tempo e a força dos laços afetivos são os verdadeiros protagonistas. Através de um olhar poético e intimista, o cineasta cria uma obra que não apenas registra memórias, mas também nos convida a refletir sobre nossa própria relação com o tempo e com aqueles que nos cercam.

Embora a estrutura fragmentada e a ausência de um arco narrativo tradicional possam tornar o longa um desafio para alguns espectadores, essa mesma característica é o que o torna um filme tão especial. “Amizade” não é um documentário convencional – é um testamento emocional, um convite para lembrar, sentir e valorizar aqueles que caminham ao nosso lado.

No final das contas, o que nos define não são os grandes eventos, mas os pequenos gestos, as conversas casuais, os sorrisos compartilhados e os momentos que se tornam eternos na memória. E é exatamente isso que Cao Guimarães captura com maestria em “Amizade”.

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Onde assistir ao filme Amizade?

O filme estreou no dia 13 de março de 2025 nos cinemas.

Trailer de Amizade (2025)

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Ficha técnica do filme Amizade

  • Direção: Cao Guimarães
  • Roteiro: Cao Guimarães
  • Gênero: documentário
  • País: Brasil
  • Duração: 85 minutos
  • Classificação: 14 anos
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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