Belas Maldições 3 temporada crítica da série 2026 - Flixlândia

Crítica | O caos e o coração no 1º (e único) episódio da 3ª temporada de ‘Belas Maldições’

Foto: Prime Video / Divulgação
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A 3ª e última temporada de Belas Maldições (Good Omens) chegou ao Prime Video com a difícil missão de amarrar todas as pontas soltas da trama. O que deveria ser um arco completo de televisão acabou virando o famigerado “episódio 1” (e único), um especial com cerca de 90 minutos de duração. Essa mudança drástica aconteceu porque o criador Neil Gaiman precisou se afastar da produção no meio do caminho, após enfrentar sérias acusações nos bastidores.

Com a direção assumida por Rachel Talalay e um roteiro coescrito por Gaiman, Michael Marshall Smith e Peter Atkins, a tarefa de entregar um fim digno à série era assustadora. O resultado é uma viagem bem turbulenta, mas que, contra todas as probabilidades, consegue aterrissar com o coração no lugar certo.

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Sinopse

A história retoma com Aziraphale (Michael Sheen) trabalhando ativamente como Supremo Arcanjo. A sua missão atual é preparar a Segunda Vinda de Jesus (Bilal Hasna) não como um apocalipse tradicional terrível, mas como uma mensagem global de esperança e amor.

Enquanto isso, na Terra, o demônio Crowley (David Tennant) está na pior fase possível: completamente desconectado do Inferno, ele afoga as mágoas bebendo e apostando pelos becos de Londres, chegando a perder seu icônico Bentley num jogo de cartas para um chefão do crime chamado Brian Cameron (Sean Pertwee).

O caos de verdade começa quando o Livro da Vida é roubado, o anjo Metatron (Derek Jacobi) desaparece e Jesus resolve descer à Terra por conta própria, fazendo amizade com um ex-apostador conhecido como Harry the Fish (Mark Addy). Diante de uma nova crise que ameaça a existência, a doce anja Muriel (Quelin Sepulveda) sugere que Aziraphale engula o orgulho e vá atrás de Crowley para que os dois evitem o fim do mundo mais uma vez.

Crítica da temporada 3 de Belas Maldições (Good Omens)

O aperto de contar uma temporada em 90 minutos

Não tem como fechar os olhos para o maior defeito do episódio: a falta gritante de tempo. Tentar socar os conflitos que renderiam uma temporada inteira em apenas uma hora e meia deixa o ritmo completamente alucinado. A busca do “quem matou?” pelo Livro da Vida e a jornada solitária de Jesus perdem o peso e acabam atropeladas, parecendo mais um rascunho de algo muito maior. É nítido que o elenco coadjuvante paga o pato por essa pressa.

Personagens como Muriel tinham enorme potencial, mas são desperdiçados, e outras figuras divinas como Sandalphon (Paul Chahidi) acabam virando meros obstáculos irritantes. Fica aquela sensação amarga de ver tramas secundárias interessantes que nunca conseguiram o espaço que precisavam para respirar.

Belas Maldições 3 temporada crítica da série 2026 - Flixlândia
Foto: Prime Video / Divulgação

A química imbatível que salva o barco

Apesar do roteiro oscilar bastante e até pesar a mão em diálogos presunçosos sobre a burocracia divina, Good Omens é salva por seus grandes pilares: Michael Sheen e David Tennant. A sintonia deles continua simplesmente imbatível.

É maravilhoso ver como eles entregam com precisão as faíscas de humor, o carinho inegável e a mágoa acumulada da última temporada. O episódio entende que o público está ali por eles e deixa os dois carregarem a história nas costas. É graças a essa atuação emocionante que o final se sustenta e nos lembra o porquê de nos apaixonarmos por essa dupla lá em 2019.

O preço do livre arbítrio e o amor humano

A reta final do episódio toma algumas das melhores decisões temáticas da série. O clímax nos joga numa intensa negociação em que a dupla convence Deus e o Diabo a refazer o universo sem o Céu e o Inferno, garantindo finalmente o livre arbítrio à humanidade.

E o preço desse sacrifício é poético: Aziraphale e Crowley abrem mão de suas essências místicas e reencarnam como dois seres humanos comuns, Asa e Anthony. Eles acabam se reencontrando numa livraria, casam-se e terminam seus dias vivendo tranquilamente juntos. Trocar a eternidade fria pela beleza frágil do amor mortal foi a cartada perfeita, celebrando a vida terrena que ambos sempre adoraram.

Conclusão

O 1º e último episódio da 3ª temporada de Belas Maldições (Good Omens) está muito longe da jornada perfeita que a série merecia ter tido. O impacto das polêmicas nos bastidores fica evidente na narrativa frenética, nas tramas pela metade e no mau uso dos atores coadjuvantes.

Contudo, ao focar totalmente na emoção de Aziraphale e Crowley, a série abraça os fãs e entrega um adeus hilário, tocante e cheio de significado. Uma obra sobre o apocalipse acabou se despedindo de nós de forma incrivelmente caótica e humana. E, de certa forma, isso tem tudo a ver com Belas Maldições (Good Omens).

Onde assistir à série Belas Maldições (Good Omens)?

Trailer da temporada 3 de Belas Maldições (Good Omens)

YouTube player

Elenco de Belas Maldições (Good Omens), do Prime Video

  • David Tennant
  • Michael Sheen
  • Doon Mackichan
  • Gloria Obianyo
  • Paul Chahidi
  • Quelin Sepulveda
  • Bilal Hasna
  • Donna Preston
  • Poppy Lee Friar
  • Callum Coates
  • Sean Pertwee
  • Derek Jacobi
  • Liz Carr
  • Andrew O’Neill
  • Elizabeth Berrington
  • Paul Adeyefa
  • Anna Maryan
  • Mark Addy
  • Rich Keeble
  • Toby Jones
  • Tanya Moodie
  • Sam Taylor-Buck
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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