cena do filme A Revolução dos Bichos, animação de 2025

‘A Revolução dos Bichos’: nova animação muda completamente o clássico de George Orwell

Foto: Paris Filmes / Divulgação
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Adaptar a obra monumental de George Orwell nunca foi uma tarefa fácil, visto que o livro de 1945 se mantém intacto como uma das fábulas políticas mais afiadas já escritas. A nova animação A Revolução dos Bichos, capitaneada pelo diretor Andy Serkis e produzida pela Angel Studios, chega aos cinemas nesta quinta-feira (28) com a ambiciosa proposta de trazer esse clássico para as novas gerações.

Porém, na tentativa de transformar uma história inerentemente brutal e pessimista em uma atração leve e familiar, o longa acabou gerando uma onda de controvérsias e dividindo drasticamente o público e a crítica.

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Sinopse

A narrativa segue a espinha dorsal já conhecida: cansados da exploração humana, os animais da Fazenda Manor se rebelam contra seus donos para instaurar uma sociedade igualitária e livre. Mas o sonho utópico logo começa a apodrecer por dentro quando os porcos, guiados pelo ardiloso Napoleão (com voz de Seth Rogen no idioma original), passam a manipular as regras para concentrar todo o poder e instaurar uma ditadura.

Para mediar essa história, o roteiro do longa introduz Sortudo (Gaten Matarazzo), um jovem porquinho inocente que serve como nossa janela para as tensões na fazenda e para os embates contra humanos corporativistas, como a poderosa empresária Freida Pilkington (Glenn Close).

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Crítica do filme A Revolução dos Bichos (2025)

A “Disneyficação” e o alívio cômico que não encaixa

O calcanhar de Aquiles dessa adaptação é a tremenda confusão de tom. O que na literatura é uma alegoria sombria e cínica sobre como ideais revolucionários apodrecem e viram autoritarismo, nas telas vira uma aventura infantil excessivamente higienizada.

Em vez de incutir a tensão necessária, o roteiro joga para a criançada piadas de baixo nível, como o momento em que Napoleão solta gases ao tentar se erguer sobre duas patas. A inclusão de Sortudo transforma tudo em um filme de amadurecimento genérico, esvaziando o teor de sátira profunda da narrativa.

E não para por aí: o peso perturbador do terceiro ato também foi para o espaço. O clássico e amargo final de George Orwell, onde porcos e humanos se tornam idênticos, dá lugar a uma sequência de ação caótica de bem contra o mal, seguida de um desfecho otimista e esperançoso. Esse tempero alegre atinge em cheio e destrói o aviso pessimista que era o coração do livro.

cena da animação A Revolução dos Bichos, filme de 2025 (1)
Foto: Paris Filmes / Divulgação

Elenco de peso em meio a um visual inconstante

A produção reuniu uma constelação de astros na dublagem original, o que rendeu altos e baixos. Woody Harrelson entrega um show de sinceridade e emoção dando voz ao cavalo Sansão (Boxer), entregando o arco que sustenta a mensagem mais genuína e arrasadora do filme. Em contrapartida, Seth Rogen entrega um Napoleão que soa como o próprio ator rindo em uma esquete de comédia, o que mata completamente o ar ameaçador e manipulador que o grande vilão precisava exalar.

Na estética, o filme escolhe um caminho charmoso e colorido, sempre banhado por uma luz amarelada e convidativa, o que reforça que a obra foi moldada para abraçar as famílias. Apesar dos bichos terem bastante expressividade e carisma, a execução em 3D peca no polimento, deixando a impressão de que algumas partes da animação não foram completamente finalizadas ou tiveram o orçamento reduzido.

Mudança de visão

A decisão mais espinhosa tomada por Andy Serkis foi redirecionar o canhão da crítica social. Enquanto o livro foi escrito para expor os terrores da Revolução Russa e o regime opressor de Stalin, a animação atira contra o capitalismo liberal, as grandes corporações e a ganância consumista. Em A Revolução dos Bichos de 2025, os porcos ambicionam frequentar shoppings, ganhar carros esportivos de luxo e agir como empresários na linha de Elon Musk e Jeff Bezos.

Essa virada temática pode gerar polêmica com quem é fã da obra original, já que muitos espectadores podem ficar furiosos ao ver a crítica virada contra o modo de vida liberal atual, tolerando a metáfora só quando ela atacava os soviéticos.

O desfecho, em que os animais derrubam a tirania capitalista e parecem dispostos a dar uma nova chance ao pensamento comunista, certamente vai irritar profundamente parcelas conservadoras do público. Tudo isso ganha camadas de bizarria quando lembramos que a responsável por trás das câmeras é a Angel Studios, conhecida por abraçar um público alinhado a “valores tradicionais”.

Animação A Revolução dos Bichos é boa?

Colocando na balança, a nova adaptação de A Revolução dos Bichos rui sob o peso de querer ser palatável a todo custo. Ao tentar diluir o tom para atrair o público infantil e ainda modificar o alvo político da trama, Andy Serkis esvaziou as qualidades que faziam de George Orwell um autor atemporal.

O filme até tem potencial para distrair crianças que nunca ouviram falar do clássico em uma tarde de domingo. Porém, como adaptação de uma das obras-primas da literatura mundial, ele se prova confuso, desdentado e entrega uma experiência muito aquém do que a história original pedia.

Onde assistir ao filme A Revolução dos Bichos?

A Revolução dos Bichos estreia nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer da animação A Revolução dos Bichos (2026)

YouTube player

Elenco do filme A Revolução dos Bichos

  • Seth Rogen
  • Gaten Matarazzo
  • Steve Buscemi
  • Glenn Close
  • Laverne Cox
  • Kieran Culkin
  • Woody Harrelson
  • Jim Parsons
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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