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Crítica | ‘Euphoria’ (3×06): fé, traumas e dedos cortados

Foto: HBO / Divulgação
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Se a terceira temporada de Euphoria vinha pesando a mão no cinismo e na escuridão, o sexto episódio traz um respiro quase espiritual para a trama — mas sem largar a essência caótica da série.

Depois do enorme cliffhanger da semana anterior que nos deixou achando que Rue (magistralmente interpretada por Zendaya) perderia a cabeça para o taco de polo de Alamo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), a série pisa no freio para nos dar respostas, mergulhar no passado de seus antagonistas e preparar o terreno para um final de temporada que promete não poupar ninguém.

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Sinopse

O episódio começa nos poupando do pior: Rue consegue sobreviver ao ataque de Alamo oferecendo um plano para recuperar o que foi roubado dele, usando sua amiga Faye (Chloe Cherry) como isca. A partir daí, vemos Rue atuar como uma agente tripla perigosíssima entre Alamo, a assustadora traficante Laurie (Martha Kelly) e a agência antidrogas (DEA).

Enquanto isso, a trama nos leva ao passado de Alamo, mostrando como a traição de sua própria mãe, vivida por Danielle Deadwyler, o transformou em um homem frio e incapaz de confiar nas mulheres. Em Hollywood, Cassie (Sydney Sweeney) consegue sua grande chance de brilhar na novela “L.A. Nights” após transformar seu trauma real em uma atuação visceral, convencendo a produtora Patty Lance (Sharon Stone) a dar-lhe um papel fixo, desde que ela apague seu lucrativo OnlyFans.

Jules (Hunter Schafer) tem um embate violento com Rue ao ser confrontada sobre seu relacionamento tóxico com um homem mais velho. Por fim, Nate (Jacob Elordi) continua sua rotina de tortura, recebendo mais mutilações dos agiotas de Naz (Jack Topalian).

Crítica do episódio 6 da temporada 3 de Euphoria

A arigem de Alamo e o trauma como motor

Euphoria sempre foi brilhante ao mostrar como ambientes disfuncionais quebram pessoas desde cedo, e a cena de abertura do episódio nos lembra disso com maestria. O flashback da infância de Alamo é de cortar o coração. Vemos um garoto esperançoso se afeiçoar a Preston (Kwame Patterson), um homem gentil e com o rosto desfigurado por queimaduras, que prometia uma vida melhor para ele e sua mãe.

A revelação de que a própria mãe de Alamo orquestrou um roubo contra Preston, fugindo com as economias do homem para morar com outro golpista, é devastadora. Isso não justifica a crueldade do Alamo adulto, mas explica perfeitamente a sua misoginia enraizada e a sua promessa de “nunca mais deixar uma vadia ser mais esperta que ele”. É um estudo de personagem muito bem-vindo que humaniza o vilão na reta final.

crítica de euphoria temporada 3 episódio 6 série da hbo - flixlândia
Foto: HBO / Divulgação

A redenção de Rue: milagre ou miragem?

O arco de Rue neste episódio é, de longe, o mais complexo. Vê-la sentada em uma igreja, chorando ao telefone com sua mãe Leslie (Nika King) e dizendo que quer acreditar em Deus e na redenção, entrega um momento de ternura que a temporada estava precisando. Zendaya transmite um cansaço e uma vontade de recomeçar que convencem qualquer um.

No entanto, o roteiro esconde uma faca nas costas da personagem. Mais tarde, Bishop (Darrell Britt-Gibson) conta a Rue uma história sinistra sobre uma píton que parou de comer não por estar doente, mas para abrir espaço no estômago a fim de devorar sua própria dona. A moral da história? Você nunca sabe as reais intenções de alguém. Logo em seguida, Bishop revela cinicamente que fez uma visitinha à mãe de Rue.

O choque que fica no ar é sombrio: o telefonema emocionante na igreja provavelmente não foi um milagre espontâneo, mas sim um pedido de socorro oculto de Leslie, que estava sendo ameaçada pelos capangas de Alamo. Isso transforma o suposto “renascimento” espiritual de Rue — coroado pela visão mística de uma sarça ardente após um quase acidente de carro — em um presságio de tragédia.

O preço da fama para Cassie e a queda de Jules

Se Rue flerta com o divino, Cassie abraça a superficialidade de Los Angeles, mas não sem antes pagar um preço alto. Depois de chocar seus assinantes lutando nua com uma cobra no OnlyFans (uma cena polêmica orquestrada por Maddy, interpretada por Alexa Demie), Cassie encontra sucesso por acidente no set de “L.A. Nights“. Ao ouvir uma fala que a engatilha sobre seu ex abusivo, ela tem um surto emocional que a produtora Patty Lance confunde com pura genialidade artística.

É muito interessante notar como Cassie não consegue sair do ciclo de validação. Ela sacrifica sua independência financeira ao deletar o OnlyFans a mando de Patty. Quem ganha com isso, ironicamente, é sua irmã Lexi (Maude Apatow), que toma os créditos pela descoberta da irmã e ganha a oportunidade de escrever o arco dela na novela, mostrando que o oportunismo corre solto na família.

Em paralelo, Jules protagoniza uma cena melancólica e brutal. Imersa na “fantasia” de ser sustentada por Ellis (Sam Trammell), um cirurgião plástico casado, ela dá um tapa em Rue quando a ex-namorada joga verdades duras na sua cara. A queda do quadro em cima de Rue simboliza muito bem como a vida artística “perfeita” de Jules está desmoronando sob o peso da negação.

Violência gratuita e o escanteio de Nate

O único ponto que parece estar perdendo a mão na narrativa é o arco de Nate. Aparentemente, o personagem foi reduzido a saco de pancadas cômico da temporada. Depois de perder um dedo do pé, agora ele tem o dedo anelar cortado e enviado em uma caixa da FedEx para Cassie.

Essa repetição de mutilações e surras levanta um questionamento: será que a série não sabe mais o que fazer com Jacob Elordi e está apenas “escanteando” o personagem de forma dolorosa antes do fim?.

Conclusão

O episódio 6 da temporada 3 resgata a profundidade psicológica de Euphoria, lembrando-nos de que traumas de infância ditam os fracassos adultos. A justaposição entre a busca desesperada de Rue por Deus e a brutalidade silenciosa do submundo criminal cria uma tensão palpável.

Com atuações fantásticas, especialmente de Zendaya e de Sydney Sweeney, a série consegue equilibrar o bizarro (como enviar um dedo pelo correio) com o divinamente trágico. Restando apenas dois episódios, o palco está montado: a píton de Alamo já mediu sua presa, e as chamas da sarça ardente de Rue prometem consumir o que restou de todos.

Onde assistir à série Euphoria?

Trailer da temporada 3 de Euphoria

YouTube player

Elenco da 3ª temporada de Euphoria

  • Zendaya
  • Hunter Schafer
  • Eric Dane
  • Jacob Elordi
  • Sydney Sweeney
  • Alexa Demie
  • Maude Apatow
  • Martha Kelly
  • Chloe Cherry
  • Adewale Akinnuoye-Agbaje
  • Toby Wallace
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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