Confira a resenha crítica do filme "Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes", suspense de 2025 com The Weeknd disponível nos cinemas.

[CRÍTICA] ‘Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes’: egotrip pop ou arte conceitual vazia?

Foto: Paris Filmes / Divulgação
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“Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes” nasce da mente inquieta de Abel Tesfaye, conhecido mundialmente como The Weeknd. Após o fracasso retumbante da série The Idol, o artista canadense tenta mais uma vez escancarar as dores de sua alma, agora em um longa-metragem que se pretende thriller psicológico, ensaio visual e confissão íntima.

Dirigido por Trey Edward Shults, o filme é vendido como um mergulho sensorial na psique de um astro pop em colapso — mas a realidade é bem menos glamorosa (e menos apreciável).

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Sinopse do filme Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes

Abel Tesfaye interpreta uma versão ficcional de si mesmo, um cantor mundialmente famoso à beira de um esgotamento físico e emocional. Em plena turnê, abandonado pela namorada e forçado a continuar por pressão de seu empresário Lee (Barry Keoghan), ele vive uma espiral descendente.

Quando conhece Anima (Jenna Ortega), uma fã obcecada que invade seu quarto e sua sanidade, o que parecia ser apenas mais uma noite qualquer se transforma em uma viagem onírica, lisérgica e repleta de simbologias sobre identidade, fama e trauma.

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Resenha Crítica de Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes (2025)

Desde os primeiros minutos, “Hurry Up Tomorrow” deixa claro que está menos interessado em contar uma história e mais empenhado em colocar The Weeknd sob os holofotes — não como astro pop, mas como mártir da fama.

Tesfaye atua, roteiriza, produz e canta. O filme, inspirado em seu álbum homônimo, é quase uma vitrine audiovisual dos dilemas existenciais do cantor. O problema? Ele acredita piamente que suas angústias valem 105 minutos de tela — e, pior, que só ele pode contá-las.

Hurry Up Tomorrow Além dos Holofotes resenha crítica do filme 2025 Flixlândia
Foto: Divulgação

Narrativa fragmentada e pretensiosa

A estrutura do filme aposta em arquétipos junguianos: Lee como a sombra, Anima como a alma feminina, Abel como o ego. No papel, isso poderia render uma boa psicanálise simbólica. Na prática, o que se vê é uma colcha de retalhos estéticos sem costura dramática. Cenas se acumulam sem progressão narrativa, apenas exibindo efeitos visuais e poses de sofrimento performático.

Anima, interpretada pela ótima Jenna Ortega, é reduzida a um amontoado de clichês da “fã louca e iluminada”. A atriz até tenta extrair humanidade da personagem, mas fica presa a um roteiro que transforma cada frase em monólogo pseudo-poético. Barry Keoghan (também excelente), por sua vez, entrega uma caricatura de empresário tóxico, digna de uma paródia — mas o filme se leva a sério demais para permitir qualquer ironia.

Estética de videoclipe sem substância

A fotografia de Chayse Irvin até entrega momentos hipnóticos, com luzes neon e mudanças constantes de proporção de tela. Porém, em vez de servir à narrativa, os recursos visuais parecem gritar por atenção: flares, glitches, cortes frenéticos e filtros — tudo muito bonito, mas vazio. O que poderia funcionar em um clipe de três minutos se torna sufocante em um longa.

Pior ainda é a forma como os “shows” são retratados. Sem gravações reais de apresentações, o filme opta por closes intermináveis no rosto de Abel, como se bastasse vê-lo suar, chorar e cheirar cocaína para compreender seu abismo interno. O efeito é de cansaço — tanto emocional quanto estético.

Atuação constrangedora

As canções de The Weeknd estão por toda parte, mas em vez de impulsionarem a trama, funcionam como adereços promocionais. A tentativa de usar trechos de letras como diálogos soa forçada, e a repetição insistente da faixa Wake Me Up em diferentes versões mostra o quanto o projeto está mais preocupado em reafirmar a marca do artista do que em explorar verdadeiramente sua humanidade.

Mas, talvez, o ponto mais fraco de “Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes” seja o próprio The Weeknd como ator. Faltam-lhe nuance, carisma e timing. O que ele tenta passar como vulnerabilidade se traduz em monotonia.

Sua performance é plana, desprovida de intensidade real, o que torna o colapso emocional do personagem inverossímil. Ortega e Keoghan, apesar dos esforços, parecem atuar em filmes diferentes. E no centro, Abel permanece como um vazio envolto em fumaça estilizada.

Conclusão

“Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes” é uma obra desequilibrada, pretensiosa e profundamente autocentrada. Tenta se apresentar como mergulho existencial, mas afunda em sua própria superficialidade. Esteticamente chamativo, mas emocionalmente raso, o filme funciona melhor como peça de marketing do que como narrativa cinematográfica.

Para os fãs de The Weeknd, talvez haja algo a ser extraído — uma melancolia que ecoa nos refrões e se materializa na solidão das telas. Para o público em geral, porém, o que resta é o retrato de um artista obcecado por sua imagem, preso a um espelho que reflete apenas o próprio ego.

Onde assistir ao filme Hurry Up Tomorrow, com The Weeknd?

Trailer de Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes (2025)

YouTube player

Elenco do filme Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes

  • The Weeknd
  • Jenna Ortega
  • Barry Keoghan
  • Riley Keough
  • Ash T
  • Paul L. Davis
  • Sebastian Villalobos
  • Roman Mitichyan

Ficha técnica de Hurry Up Tomorrow, com The Weeknd

  • Título original: Hurry Up Tomorrow
  • Direção: Trey Edward Shults
  • Roteiro: Reza Fahim, Trey Edward Shults, The Weeknd
  • Gênero: suspense
  • País: Estados Unidos
  • Duração: 105 minutos
  • Classificação: 16 anos
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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