o ator Chiwetel Ejiofor com metade do rosto em cena do filme Backrooms – Um Não Lugar de 2026

‘Backrooms: Um Não-Lugar’ é inquietante e bizarro

Foto: Imagem Filmes / Divulgação
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“Backrooms: Um Não-Lugar” parte de uma premissa simples e profundamente inquietante: e se existisse um espaço escondido entre as rachaduras da realidade, um lugar onde arquitetura, memória e matéria orgânica deixam de obedecer às regras humanas?

O filme utiliza o imaginário popular dos Backrooms — originalmente nascido da internet e expandido pelos curtas de Kane Parsons, o mesmo diretor do longa, para construir uma narrativa de horror existencial que mistura tragédia pessoal, paranoia corporativa e body horror grotesco. O resultado parece menos interessado em sustos rápidos e mais focado em provocar desconforto psicológico constante.

Existe também uma camada claramente melancólica no centro da história. Clark (Chiwetel Ejiofor) não é apenas um explorador curioso; ele é um homem falido emocionalmente, preso entre o fracasso financeiro, o abandono conjugal e a obsessão por provar que descobriu algo impossível.

Essa escolha dá peso dramático ao filme e impede que ele seja apenas uma adaptação superficial de creepypasta da internet. Ao colocar personagens emocionalmente quebrados diante de um espaço que literalmente distorce identidade e memória, o filme transforma o terror em metáfora.

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Sinopse

A trama acompanha Clark, dono de uma loja de móveis decadente, que encontra uma espécie de “falha” no porão do estabelecimento — uma sobreposição instável entre o mundo real e o chamado Complexo dos Backrooms. Ao atravessar essa rachadura luminosa, ele descobre um labirinto infinito de salas artificiais, corredores impossíveis e áreas que parecem reproduções imperfeitas da realidade.

Fascinado e desesperado para provar que aquilo existe, Clark começa a documentar o lugar através de mapas e gravações, utilizando suas habilidades antigas de arquiteto para compreender uma geometria que parece viva.

Enquanto Clark mergulha cada vez mais fundo no Complexo, sua psicóloga Mary Kline (Renate Reinsve), acaba sendo arrastada para a mesma dimensão. O filme então alterna entre exploração, trauma psicológico e horror corporal extremo, revelando que certas áreas dos Backrooms transformam lentamente seres humanos em imitações monstruosas feitas de espuma, tecido e enchimento de móveis.

Ao mesmo tempo, uma misteriosa organização chamada ASYNC monitora tudo à distância, sugerindo que o Complexo talvez seja muito maior — e muito mais antigo — do que qualquer personagem consegue compreender.

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Crítica do filme Backrooms – Um Não-Lugar

Arquitetura da loucura

Um dos aspectos mais interessantes de “Backrooms: Um Não-Lugar” é como ele transforma espaços cotidianos em elementos ameaçadores. A loja de móveis não serve apenas como cenário; ela funciona como extensão simbólica do próprio Clark. É um ambiente vazio, decadente e artificial, assim como sua mente no decorrer da narrativa. O fato de as criaturas se tornarem versões deformadas de sofás, colchões e mascotes corporativos reforça a ideia de que o Complexo absorve referências humanas sem compreendê-las completamente. É um horror que nasce da imitação imperfeita.

O conceito da área que replica a loja de móveis Cap’NClark é especialmente perturbador porque sugere que os Backrooms não criam monstros conscientemente — eles apenas tentam reproduzir aquilo que observam. Isso torna o horror mais cósmico do que maligno. O Complexo não odeia os humanos; ele simplesmente não entende o que um humano é. A comparação com mutações biológicas faz sentido justamente porque o filme parece trabalhar a ideia de uma “inteligência ambiental” tentando reconstruir vida orgânica através de lógica defeituosa. O resultado inevitavelmente cai no grotesco.

O ator Chiwetel Ejiofor anda em um corredor em cena em tom amarelo do filme Backrooms - Um Não-Lugar de 2026
Foto: Imagem Filmes / Divulgação

Carne, espuma e identidade

O body horror parece ser o elemento visual mais forte da obra. A transformação das vítimas em criaturas preenchidas com espuma de sofá é uma ideia genuinamente original e visualmente memorável.

Há algo profundamente desconfortável em ver o corpo humano deixar de ser carne para virar mobília. Diferente do horror tradicional baseado apenas em violência, aqui o medo nasce da perda gradual da identidade: esquecer como falar, como se mover, como existir como pessoa.

A criatura

A criatura “Pirate Clark” provavelmente funciona como ápice simbólico dessa deterioração. A descrição dela — alternando entre mascote publicitário, boneco deformado e versão monstruosa do próprio Clark — remete diretamente à ideia de que o Complexo mistura referências de maneira errada.

O fato de ela arrancar parte do ombro de Clark quase parece um ato de substituição: a criatura toma definitivamente o lugar dele dentro daquele ecossistema impossível. Visualmente, a inspiração em obras como Annihilation faz muito sentido, principalmente na forma como mutação e assimilação são tratadas como algo belo e horrível ao mesmo tempo.

O verdadeiro monstro é a ASYNC

Talvez o aspecto mais sombrio da história seja perceber que o filme não trata apenas do medo do desconhecido, mas também da exploração humana diante dele. A presença da ASYNC transforma os Backrooms em algo além de um pesadelo sobrenatural; eles viram um experimento científico clandestino. Phil, interpretado por Mark Duplass, parece representar exatamente isso: a curiosidade científica dissociada de ética ou empatia.

Final explicado do filme Backrooms – Um Não Lugar

O final em que Mary é mantida presa no Complexo como cobaia muda completamente o tom da narrativa. Até então, o filme poderia ser interpretado como uma tragédia sobrenatural sobre pessoas que encontraram algo impossível.

Porém, ao revelar que a ASYNC escolhe conscientemente explorar e ocultar aquilo, a história ganha um componente de horror institucional. Os monstros deixam de ser apenas as criaturas deformadas dos corredores; passam a ser também as pessoas dispostas a sacrificar vidas para estudar o desconhecido.

“Backrooms: Um Não-Lugar” parece funcionar melhor quando abraça o desconforto e o surrealismo, evitando respostas fáceis. O filme aparentemente entende que os Backrooms são assustadores justamente porque não fazem sentido completo. Explicar demais destruiria o mistério. Ao invés disso, a narrativa aposta em fragmentos: corredores impossíveis, corpos deformados, memórias quebradas e organizações que sabem mais do que revelam. Isso cria um terror persistente, que continua ecoando depois do fim.

O final sugere que os Backrooms não são exatamente uma dimensão paralela comum, mas um ambiente que imita, absorve e reconstrói a realidade de forma defeituosa. Clark enlouquece porque permanece tempo demais numa área onde o Complexo tenta reproduzir elementos humanos sem compreender sua estrutura biológica ou psicológica.

A criatura “Pirate Clark” pode ser interpretada como uma versão completamente assimilada dele — ou como o próprio Complexo tentando criar um substituto funcional usando referências da loja e do mascote.

Já Mary sobrevive apenas para descobrir algo ainda pior: a ASYNC sabe da existência daquele lugar há muito tempo e prefere estudá-lo a destruí-lo. O encerramento deixa implícito que o verdadeiro horror dos Backrooms não é morrer lá dentro, mas ser lentamente apagado até virar apenas mais uma imitação imperfeita perdida no infinito.

Onde assistir ao filme Backrooms: Um Não-Lugar?

O filme estreia nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de Backrooms: Um Não-Lugar (2026)

YouTube player

Elenco do filme Backrooms: Um Não-Lugar

  • Chiwetel Ejiofor
  • Renate Reinsve
  • Mark Duplass
  • Finn Bennett
  • Lukita Maxwell
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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