Parto Maldito Birthrite crítica do filme 2025

O novo terror do HBO Max vai testar sua sanidade

Foto: Divulgação
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Sabe aquele tipo de filme que brinca com a sua cabeça e te deixa com um nó no estômago sem precisar apelar para sustos a cada cinco minutos? Parto Maldito (lançado originalmente como Birthrite) é exatamente essa proposta.

O terror focado em gravidez não é nenhuma novidade no cinema — clássicos como O Bebê de Rosemary já mostraram o quanto a gestação pode ser um terreno fértil para o medo e a paranoia. Porém, sob a direção de Ross Partridge, essa nova aposta, que acaba de chegar ao catálogo da HBO Max, tenta dar um frescor ao subgênero mergulhando de cabeça no folk horror e nas questões de saúde mental feminina.

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Sinopse

A trama acompanha o casal Wren (Alice Kremelberg) e Maya (Juani Feliz), que estão grávidas de seu primeiro filho. Tudo parece perfeito quando Wren herda uma enorme casa no campo de uma tia distante, a desculpa ideal para fugirem da correria da cidade grande e começarem uma nova vida.

Porém, a vida no campo se revela um verdadeiro pesadelo. Logo, eventos bizarros começam a acontecer: rituais com fogueiras na floresta, uma garotinha assustadora que deixa um talismã na porta e a presença um tanto invasiva da parteira local, Rosalie (Jennifer Lafleur). Aos poucos, uma dívida cármica e uma maldição ancestral da cidade passam a ameaçar não apenas a vida do bebê, mas a própria sanidade de Wren, testando os limites do relacionamento do casal.

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Crítica do filme Parto Maldito

A atmosfera e o terror do “gaslighting”

Um dos maiores acertos de Parto Maldito é como ele constrói a sua tensão. Em vez de depender de jump scares baratos e estrondos na trilha sonora, o filme adota um ritmo de queima lenta (“slow burn”), apostando no desconforto psicológico. A direção de Ross Partridge é inteligente ao brincar com a profundidade de campo: figuras sinistras muitas vezes aparecem no fundo da tela, borradas ou à distância, observando as protagonistas sem que elas percebam. É uma técnica que lembra muito a atmosfera sufocante de filmes como It Follows.

Mas o verdadeiro terror do filme não está apenas nas figuras de chifres na floresta, e sim no gaslighting médico. A forma como os médicos e até as pessoas próximas tratam Wren é desesperadora. Pelo fato de ela ter um histórico de depressão e ansiedade, qualquer reclamação ou evento estranho que ela presencia é imediatamente descartado como “loucura” ou histeria da gravidez. O filme captura brilhantemente a vulnerabilidade de não ser acreditada no momento em que você mais precisa.

cena de Parto Maldito Birthrite filme de 2025
Foto: Divulgação

Atuações que seguram a barra

A dinâmica entre as protagonistas é outro ponto forte. Alice Kremelberg entrega uma atuação crua de uma mulher cujo mundo está desmoronando, enquanto Juani Feliz, como Maya, serve como a âncora pragmática do casal. É interessante notar como o roteiro normaliza o casal queer: o fato de serem duas mulheres não é o conflito da história, é apenas quem elas são. Maya sofre por tentar apoiar a parceira enquanto lida com suas próprias dúvidas sobre o que é real e o que é paranoia.

O elenco de apoio também faz um ótimo trabalho, com destaque para Jennifer Lafleur, que rouba a cena e traz um peso bizarro à narrativa no terceiro ato do filme.

Ritmo inconstante e pontas soltas

Apesar das qualidades, Parto Maldito escorrega em seu próprio roteiro, escrito por Patch Darragh e Erin Gann. Com 100 minutos de duração, a narrativa muitas vezes se arrasta e se torna cansativa, parecendo não ter força suficiente para sustentar a história sem perder o fôlego.

Além disso, o filme sofre com inconsistências e tramas abandonadas. Um exemplo claro é a relação conflituosa de Maya com sua mãe, que rende uma cena superemocional no segundo ato, mas é esquecida logo em seguida, sem nenhuma consequência real para a história.

Há também escolhas de edição bizarras, principalmente com os animais: o cachorro da família, Simon, some e aparece apenas quando o enredo precisa, mudando até de aparência; já um suposto cavalo, que é ouvido no estábulo, nunca sequer dá as caras, fazendo o espectador se perguntar por que esses elementos foram incluídos na edição final. E, enquanto os dois primeiros atos constroem o suspense com calma, o terceiro ato, cheio de reviravoltas e surpresas muito boas, sofre com cortes apressados e uma edição um pouco confusa.

Afinal, Parto Maldito é bom?

No fim das contas, Parto Maldito (Birthrite) é um suspense que tem mais a oferecer do que a média dos filmes de casas assombradas, principalmente pela forma como explora os medos muito reais do universo feminino e da maternidade. Não é uma obra-prima impecável e o seu ritmo lento pode afastar a parcela do público que busca sustos fáceis e monstros pulando na tela.

No entanto, se você gosta de terror atmosférico, atuações sólidas e narrativas focadas na degradação psicológica em ambientes isolados, vale a pena dar o play na HBO Max. É aquele tipo de filme imperfeito, mas que com certeza vai te deixar com uma sensação estranha e persistente muito tempo depois de os créditos subirem.

Onde assistir ao filme Parto Maldito?

  • HBO Max

Trailer de Parto Maldito (2025)

YouTube player

Elenco do filme Parto Maldito

  • Alice Kremelberg
  • Juani Feliz
  • Jennifer Lafleur
  • Michael Chernus
  • Owen Campbell
  • Patch Darragh

Ficha Técnica

  • Título Original: Birthrite
  • Direção: Ross Partridge
  • Roteiro: Patch Darragh e Erin Gann
  • Duração: 100 minutos
  • Gênero: Terror / Suspense
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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