Se você acabou de assistir a Parto Maldito (lançado internacionalmente como Birthrite) na HBO Max e ficou com a cabeça girando enquanto os créditos subiam no final, saiba que você não está sozinho. O novo terror psicológico dirigido por Ross Partridge entrega uma atmosfera sufocante, misturando os medos reais da maternidade com o bizarro universo do folk horror.
O filme nos apresenta ao casal Wren (Alice Kremelberg) e Maya (Juani Feliz), que se mudam para uma casa de campo isolada. O que parecia ser o cenário perfeito para criar o primeiro filho acaba se revelando o epicentro de uma maldição ancestral. Mas como todas as peças desse quebra-cabeça se encaixam nos minutos finais? Vamos destrinchar.
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O que acontece no final de Parto Maldito?
Qual é a origem da maldição em Birthrite?
Tudo remonta ao passado daquela pequena cidade. O enredo revela que, há muito tempo, um coven (grupo) de bruxas inférteis realizou um ritual sombrio, oferecendo-se a um demônio para conseguir engravidar. A condição macabra era que, durante o ritual de nascimento, um portal dimensional seria aberto para que a entidade possuísse as bruxas, andasse pela Terra e sequestrasse crianças.
Essas mesmas crianças raptadas eram transformadas em “servas” e usadas para marcar as próximas vítimas da seita — e é exatamente por isso que um menino fantasma deixa uma mecha de cabelo como “marca” na casa de Wren. A maldição ditava que um sacrifício de bebê seria necessário caso um menino nascesse dentro da linhagem sanguínea desse demônio.
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Quem é a verdadeira mãe de Wren?
Um dos maiores plot twists de Parto Maldito envolve o passado da protagonista. Wren acreditava ter herdado a casa de sua falecida tia, Birgit. O problema é que Birgit não era sua tia, mas sim sua verdadeira mãe.
Sendo infértil, Birgit recorreu ao mesmo ritual satânico das bruxas. O acordo era claro: assim que desse à luz, ela deveria entregar a própria filha ao demônio. Mas, no momento crucial, Birgit não teve coragem. Para salvar a vida de Wren, ela enviou a recém-nascida para ser criada por sua irmã na cidade, longe dali. Foi essa quebra de contrato que jogou a maldição terrível sobre a comunidade local. Como Wren faz parte dessa linhagem manchada (o seu “Birthrite” ou “Direito de Nascença”), as consequências cobram o preço anos depois, quando ela volta para a cidade.

O que aconteceu com Henry, o primeiro bebê?
Logo no início da trama, Wren passa por uma situação aterrorizante. Após uma ultrassonografia onde descobre esperar um menino que chamaria de Henry, ela tem visões de ser arrastada para uma fogueira na floresta e, em seguida, acorda no hospital sofrendo um sangramento intenso.
Os médicos, e até mesmo sua noiva Maya, são levados a acreditar que tudo foi um delírio. Afirmam que foi uma “gravidez psicológica” induzida por traumas anteriores e histórico de depressão, e que o bebê nunca existiu fisicamente. No entanto, a verdade brutal se revela depois: Wren foi forçada pela seita a dar à luz no meio do mato muito antes da hora, e Henry foi essencialmente roubado para o ritual.
Quem era o homem com a máscara de chifres? E a médica Rosalie?
No terceiro ato, a tensão escala quando a seita entra em ação para o nascimento do segundo bebê de Wren. É nesse momento de puro caos que identidades são reveladas.
Maya, armada com o rifle de caça do amigo Paul (Michael Chernus), dispara contra a misteriosa e assustadora figura com máscara de chifres. Wren ataca o homem, cortando-o, e o filme revela que por baixo da máscara estava ninguém menos que Magnus Brewer, o advogado que administrou a herança e o testamento de Birgit.
Outra grande revelação é o papel da ginecologista Rosalie (Jennifer Lafleur), que estava envolvida com o ocultismo local desde o começo. Ela tenta usar o bebê de Wren em um sacrifício ritualístico, exigindo que o demônio quebre a maldição da cidade. Mas o demônio não opera sob ordens de humanos: no momento em que ela tenta comandá-lo, a entidade a mata instantaneamente.
O que acontece com Wren, Maya e o bebê no final?
O final de Parto Maldito é agridoce, sombrio e vai direto ao ponto sobre os sacrifícios dolorosos da maternidade. O filme deixa claro o ditado que filmes de ocultismo adoram: quando se faz um acordo com o Diabo, não há escapatória.
Como Wren estava envolvida nos rituais de sua linhagem biológica para conseguir gerar uma vida, aquele bebê, perante as regras sobrenaturais, precisava ser entregue para satisfazer o demônio. Diante do pior cenário possível, Wren toma a decisão final.
Em vez de deixar que o demônio mate sua filha ou leve Maya, Wren escolhe sacrificar a si mesma. Ela implora para que Maya fuja daquela cidade amaldiçoada levando a criança em segurança. Na última e arrepiante cena de Parto Maldito, a protagonista veste a máscara de chifres abandonada no chão, sinalizando que ela está se entregando às trevas e assumindo o papel de próxima serva/demônio local, condenando sua própria alma para que sua família pudesse viver.
No fim, o longa usa a ameaça sobrenatural para fazer uma alegoria muito real: o fato de que a maternidade exige que as mulheres abdiquem de parte de si mesmas, mostrando que o fardo, o trauma e o sacrifício de gerar uma nova vida, muitas vezes, recaem inteiramente sobre a mãe.
Ficha Técnica
- Título Original: Birthrite
- Título no Brasil: Parto Maldito
- Onde assistir: HBO Max
- Direção: Ross Partridge
- Roteiro: Patch Darragh e Erin Gann
- Elenco Principal: Alice Kremelberg (Wren), Juani Feliz (Maya), Jennifer Lafleur (Rosalie), Michael Chernus (Paul), Owen Campbell, Patch Darragh
- Gênero: Terror / Suspense
- Duração: 100 minutos














