Quero Ser Uma Grande Estrela crítica série dorama 2026

‘Quero Ser Uma Grande Estrela’: GL tailandês que promete muito, mas tropeça no próprio enredo

Foto: Netflix / Divulgação
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O universo das séries tailandesas do gênero Girls Love (GL) tem ganhado produções cada vez mais ambiciosas e diversificadas. E Quero Ser Uma Grande Estrela (I Wanna Be Sup’tar) chegou em 2026 na Netflix com a promessa de entregar uma comédia romântica refrescante, fugindo dos clássicos cenários escolares e universitários para mergulhar nos bastidores cruéis da fama e no mundo do show business.

Mas será que a série consegue segurar essa premissa inovadora até o fim? A resposta é uma grande mistura de altos e baixos.

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Sinopse

A trama aposta no clássico clichê de convivência forçada de duas mulheres em momentos de vida completamente opostos. De um lado, temos Wanneung, uma garota otimista, tagarela e um tanto desastrada, que tem o grande sonho de quebrar as barreiras da indústria do entretenimento e se tornar famosa a qualquer custo.

Do outro, está Win, uma atriz extremamente bem-sucedida que, traumatizada e esgotada com as falsidades, cobranças e o lado obscuro da fama, decidiu se afastar dos holofotes. Quando o destino (e um roteiro conveniente) faz com que ambas dividam o mesmo teto, a tensão e os conflitos de personalidades dão origem a uma relação pontuada por ambição, descoberta e, claro, romance.

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Crítica de Quero Ser Uma Grande Estrela, da Netflix

O contraste e a química das protagonistas

O grande pilar de qualquer rom-com é a química, e aqui temos uma dinâmica que funciona bem, embora demore a engrenar. Lilly Ladapa Thongkham entrega uma performance magnética e carrega muitas das melhores cenas nas costas como Win, sabendo dosar perfeitamente a presença imponente da ex-superestrela com uma vulnerabilidade palpável e sutil. Ela sabe impor limites e tem um desenvolvimento emocional maduro.

Wanneung, vivida por Belle Jiratchaya Kittavornsakul, é uma personagem difícil de engolir no início da trama. A direção e o roteiro pesaram a mão nos estereótipos dos anos 2000 — usando seu cabelo cacheado para emular o arquétipo da garota “nerd, virgem e desajeitada” —, tornando sua personalidade quase infantil e cansativa. Felizmente, lá pela metade da temporada, Wanneung amadurece, ganha um cabelo liso que reflete uma postura mais adulta e se torna muito mais fácil torcer por ela.

A relação física entre elas, em vez de vazia, foi filmada com sensibilidade e intenção narrativa, como na bela cena da barraca, que mostra vulnerabilidade de forma respeitosa. Mesmo assim, no geral, o casal principal peca pela falta de uma faísca elétrica ou tensão avassaladora, passando mais a sensação de atrizes performando bem do que uma paixão real. O desenvolvimento dos sentimentos faz mais sentido nas entrelinhas e no simbolismo visual — como o cacto que é cultivado aos poucos até florescer —, já que as duas têm enorme dificuldade de colocar o que sentem em palavras.

Quero Ser Uma Grande Estrela 2026 crítica série dorama
Foto: Netflix / Divulgação

Coadjuvantes que roubam a cena

Um dos maiores acertos de Quero Ser Uma Grande Estrela acaba ofuscando um pouco as protagonistas. O núcleo de apoio atrai muito a atenção, com destaque absoluto para o entrosamento inesperado entre May (Genie Ornalin) e Meedee (Fay Apisara).

O que começa como flerte e pura provocação resulta em um arco cheio de química, a ponto de deixar o público clamando por um desenvolvimento maior para a dupla. Além disso, May, inicialmente construída como uma possível antagonista genérica, ganha um arco de redenção gratificante, mostrando-se lúcida e até atuando como mentora na reta final.

O problema ético do consentimento e do tom

No entanto, a série tem uma falha narrativa assustadora no terceiro episódio. Ao introduzir uma tentativa de abuso sexual sofrida por Wanneung, a produção falha ao transformar esse trauma delicado em um mero atalho de roteiro para forçar o romance. O momento mais perturbador vem logo depois, quando Win beija Wanneung enquanto a garota ainda está inconsciente.

O fato de o dorama romantizar um ato sem consentimento com trilha sonora suave e enquadramento romântico mostra um erro crônico e estrutural da produtora CHANGE2561 no tratamento de assuntos sérios e de limites corporais. Isso não apenas cria um tom inconsistente para a comédia, mas subverte os propósitos de respeito narrativo da sigla GL.

*Vale o adendo crítico, inclusive, para a péssima cena em que se realiza uma massagem cardíaca numa pessoa que apenas desmaiou, o que é um grave erro médico.

Ritmo inconstante e final atropelado

Do ponto de vista prático de montagem, a série é como uma montanha-russa. Temos episódios engajantes, como o sexto, e outros onde a história fica travada, parecendo que nada acontece e os personagens mal se comunicam. Quando finalmente chegamos ao desfecho, o dorama precisa correr contra o tempo.

Cenas importantes perdem o peso dramático; momentos enigmáticos, como os anéis e a repentina visita aos pais de Wanneung, ficam com um significado vago, deixando uma sensação de final inacabado e confuso sobre o real status público do casal. Além disso, uma declaração de “eu te amo” de Win sofreu com a falta de resposta imediata de Wanneung, roubando do espectador a grande catarse romântica esperada para o fim de uma temporada.

Quero Ser Uma Grande Estrela é bom?

Quero Ser Uma Grande Estrela é aquela clássica série que entrega muito carisma e potencial, mas morre na praia da excelência. Ela acerta em cheio ao trazer os bastidores frios da fama como palco, ostenta um trabalho visual colorido e atraente, e traz coadjuvantes maravilhosas que oxigenam a tela.

Entretanto, o peso de péssimas decisões criativas ao tratar temas sensíveis, um ritmo narrativo engasgado e uma química boa, mas nem sempre verossímil, a puxam para baixo. É uma escolha adorável e simpática para fãs do estilo, mas que ficará marcada como um bom entretenimento que poderia ter sido incrivelmente melhor.

Onde assistir ao dorama Quero Ser Uma Grande Estrela?

  • Netflix

Trailer de Quero Ser Uma Grande Estrela (2026)

YouTube player

Elenco da série Quero Ser Uma Grande Estrela, da Netflix

  • Lilly Ladapa Thongkham (Win)
  • Belle Jiratchaya Kittavornsakul (Wanneung)
  • Fay Apisara Lertwisettheerakul (Meedee)
  • Genie Ornalin Leelaboonyathanakul (May)

Ficha técnica

  • Título: I Wanna Be Sup’tar (2026)
  • Gênero: Comédia Romântica, Drama, GL (Girls Love)
  • Produção: CHANGE2561
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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