40 Acres crítica do filme Netflix 2024 - Flixlândia

Crítica | Terra, sangue e herança: por que ’40 Acres’ é um thriller pós-apocalíptico diferente

Foto: Divulgação
Compartilhe

Quando a gente pensa em filmes pós-apocalípticos, logo vêm à cabeça desertos estéreis, heróis solitários e vilões caricatos. Mas o diretor estreante R.T. Thorne resolveu seguir por um caminho muito mais intimista com 40 Acres.

Em vez de focar apenas no espetáculo da destruição ou na ação vazia, o filme nos entrega um drama familiar sufocante, liderado por uma família negra e indígena que luta com unhas e dentes para manter não apenas a sua vida, mas a sua história. É um suspense que troca os artifícios visuais gigantescos pela tensão psicológica de quem não pode confiar em mais ninguém.

➡️ Frete grátis e rápido na AMAZON! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse

A história se passa num futuro próximo, cerca de 14 anos depois que uma terrível pandemia fúngica varreu quase todos os animais do planeta. Com o colapso da cadeia alimentar e uma guerra civil, a fome enlouqueceu a humanidade, transformando fazendas e terras cultiváveis no recurso mais valioso (e perigoso) de todos. É nesse cenário que acompanhamos os Freemans, uma família que vive numa fazenda isolada no Canadá.

A matriarca Hailey (Danielle Deadwyler), uma ex-soldado traumatizada, comanda a casa com uma disciplina militar implacável. Tudo começa a desmoronar quando o filho mais velho, Emanuel (Kataem O’Connor), decide desafiar a rigidez da mãe e abriga secretamente Dawn (Milcania Diaz-Rojas), uma garota misteriosa. Esse ato de rebeldia adolescente acaba colocando a família inteira na mira de uma milícia de canibais que ronda a região.

Crítica do filme 40 Acres

O peso da ancestralidade e da terra

O título do longa não está ali por acaso. Ele faz uma referência direta à promessa histórica (e não cumprida) de “40 acres e uma mula” aos escravizados libertos nos Estados Unidos. Ver uma família negra e indígena defendendo sua terra cultivada com tanto afinco traz uma camada de resistência fantástica.

A fazenda não é só um lugar para plantar comida; é um símbolo de autonomia e de reparações históricas. É muito bonito ver como o pai, Galen (Michael Greyeyes), faz questão de ensinar o idioma Cree e as tradições de seus ancestrais para os filhos, garantindo que a cultura deles resista mesmo com o mundo em ruínas.

crítica do filme 40 Acres Netflix 2024 - Flixlândia
Foto: Divulgação

Danielle Deadwyler simplesmente rouba a cena

Não dá para falar desse filme sem exaltar o trabalho da Danielle Deadwyler. Ela é a alma e o motor da história. Hailey não é apenas aquela “heroína forte” estereotipada; ela é uma mãe assombrada pelo medo, que confunde cuidado com controle absoluto.

A atuação de Deadwyler é tão cheia de nuances que ela consegue expressar todo o trauma e a frieza da personagem apenas com o olhar e com seus silêncios. É verdade que a personagem pode parecer insuportável e controladora em vários momentos, mas a gente consegue entender perfeitamente de onde vem essa paranoia toda.

Sobrevivência x viver de verdade

A grande sacada de 40 Acres é que o maior inimigo não está necessariamente do lado de fora da cerca. O coração do filme bate no conflito de gerações entre Hailey e Emanuel. Enquanto a mãe acredita que o isolamento total é a única forma de evitar a morte, o filho quer descobrir se ainda existe espaço para confiar em alguém e ter uma vida além da pura sobrevivência. A direção acerta em cheio ao mostrar que a mesma fortaleza montada para proteger a família pode acabar se tornando uma prisão asfixiante.

Tropeços e clichês no fim do mundo

Apesar das excelentes discussões, o roteiro dá umas derrapadas feias. A trama muitas vezes caminha para resoluções bem previsíveis, impulsionada pelas péssimas (porém típicas) decisões de um adolescente rebelde. Outro ponto que decepciona um pouco é a ameaça externa: quando o filme promete “canibais”, a gente espera um perigo constante e aterrorizante.

No entanto, eles aparecem bem menos do que poderiam e são usados mais como uma desculpa para forçar a família a lavar a roupa suja. Para piorar, rolam aquelas forçadas de barra clássicas do cinema, como personagens sobrevivendo a facadas e tiros sem nenhum tipo de acesso a antibióticos ou cirurgias de verdade.

Conclusão

Mesmo com alguns clichês do gênero e resoluções convenientes, 40 Acres é um filme tenso e que te faz refletir. Ele foge do espetáculo vazio para entregar uma história intimista sobre legado, herança e a difícil linha entre proteger quem amamos e sufocá-los.

Com uma performance central avassaladora e temas culturais muito bem amarrados, é o tipo de thriller que fica martelando na sua cabeça muito tempo depois de a sessão acabar. Longe de ser apenas mais um filme sobre o fim do mundo, é uma obra sobre o que decidimos plantar nas ruínas dele.

Trailer do filme 40 Acres

YouTube player

Elenco do filme 40 Acres (Netflix)

  • Danielle Deadwyler
  • Kataem O’Connor
  • Michael Greyeyes
  • Milcania Diaz-Rojas
  • Leenah Robinson
  • Jaeda LeBlanc
  • Haile Amare
  • Elizabeth Saunders
  • Tyrone Benskin
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
crítica do filme brasileiro Eu Não Te Ouço 2026 - Flixlândia
Críticas

Crítica | ‘Eu Não Te Ouço’: a serviço de quem?

Bem-vindo, caro leitor! Falaremos agora sobre “Eu Não Te Ouço”, um filme...

na zona cinzenta critica do filme 2026 - Flixlândia
Críticas

Crítica | ‘Na Zona Cinzenta’: Guy Ritchie entrega filme redondo, porém, sem muitas novidades 

O mundo do crime é parte indissociável da cinebiografia de Guy Ritchie....

crítica do documentário Alma Negra do Quilombo ao Baile 2026 - Flixlândia
Críticas

Crítica | ‘Alma Negra, do Quilombo ao Baile’: a ancestralidade que move o corpo e a política

Alma Negra, do Quilombo ao Baile é um documentário dirigido por Flavio...

Obsessão 2026 crítica do filme - Flixlândia
Críticas

Crítica | ‘Obsessão’ transforma amor em um pesadelo grotesco e perturbador

O terror sempre encontrou formas criativas de transformar sentimentos humanos em monstros....

Lançamentos nos streamings em maio de 2026 - Flixlândia (1)
Críticas

Crítica | ‘O Justiceiro: Uma Última Morte’ é a melhor versão do personagem no MCU

O novo especial da Marvel no Disney+, O Justiceiro: Uma Última Morte,...

crítica do filme brasileiro O Rei da Internet 2026 - Flixlândia
Críticas

Crítica | ‘O Rei da Internet’ é o melhor ‘true crime’ brasileiro de 2026

O Rei da Internet é um drama biográfico brasileiro dirigido por Fabrício...

Hokum O Pesadelo da Bruxa crítica do filme 2026 - Flixlândia
Críticas

Crítica | ‘Hokum: O Pesadelo da Bruxa’: Atmosfera sombria não salva roteiro previsível

Imagine-se em um Hotel isolado na Irlanda, cercado por uma atmosfera inquietante,...

crítica do filme Da Toscana com Amor do Prime Video 2026 - Flixlândia
Críticas

Crítica | ‘Da Toscana, com Amor’: o clichê confortável que a gente adora assistir

Sabe aquele tipo de filme que parece te abraçar num domingo à...