O décimo e último episódio da primeira temporada de Os Testamentos: Das Filhas de Gilead encerra esse novo capítulo do universo de The Handmaid’s Tale deixando um gosto bastante agridoce.
Apostando muito mais no desenvolvimento emocional e nos traumas das personagens do que em reviravoltas políticas explosivas, a série amarra seus conflitos principais com maestria. O grande acerto do encerramento é preparar o terreno para o futuro da história, mostrando que a revolução que derrubará Gilead nascerá exatamente de onde o regime menos espera: de suas próprias filhas.
Sinopse
A trama começa logo após os violentos eventos do episódio anterior, com Becka presa e em um frágil estado mental após esfaquear repetidamente seu pai abusador, o Dr. Grove. Enquanto as garotas na escola lidam com a ausência da amiga, Agnes chega ao seu limite emocional e entra em atrito com a estrutura repressiva ao seu redor.
Para evitar que Becka seja transformada em uma Aia, Tia Lydia e Tia Vidala tramam uma saída drástica que resulta na confissão e execução da mãe da garota. Em paralelo, Agnes perde seu noivado com o Comandante Weston após confessar os abusos que sofreu, o que a leva a implorar para que Garth se case com Becka e a salve de virar uma pária.
Fora dali, Daisy é contrabandeada para fora, reencontra June, mas recusa o resgate, decidindo voltar à escola para liderar seu próprio exército de meninas após descobrir que Agnes é, na verdade, Hannah.
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Crítica do episódio 10, final de Os Testamentos
O peso do trauma e o triste destino de Becka
Toda a trajetória de Becka resume perfeitamente os maiores temas de Os Testamentos: a repressão, o trauma e o sacrifício constante. O desespero da menina a levou a fazer justiça com as próprias mãos, mas Gilead nunca facilitaria as coisas. O Comandante Judd pouco se importa com o abuso do Dr. Grove, preocupando-se apenas em não “desperdiçar um útero”, sugerindo enviar a jovem para o Centro Vermelho.
A resolução do problema é um soco no estômago: a mãe de Becka assume o assassinato e vai para a forca. A direção acerta em cheio ao colocar a montagem da execução intercalada com o apressado casamento entre Becka e Garth – uma tentativa desesperada de Agnes de manter a amiga salva das piores punições.
É a materialização da crueldade de Gilead, onde a celebração matrimonial e a morte violenta dividem o mesmo espaço. Vemos Becka sedada com seu vestido de noiva, alheia à própria tragédia após perder os dois pais de uma só vez. Emocionante também é a cena anterior ao casamento, em que Agnes consola a amiga com um beijo terno, funcionando mais como um abraço em forma de ato, um momento de cumplicidade genuína diante de tanto horror.

A evolução de Tia Lydia e a hipocrisia do sistema
A série consegue expandir brilhantemente a complexidade da Tia Lydia. A grande vilã clássica aqui começa a assumir um tom extremamente cinza. Confrontada por Daisy – que joga em sua cara o fato de que as Tias falharam em proteger as meninas –, Lydia começa a agir nos bastidores.
Ver Lydia engolindo o orgulho e trabalhando ao lado da sua maior rival, Tia Vidala, para forjar a narrativa do crime e encobrir os rastros do escândalo mostra as enormes rachaduras na estrutura política de Gilead. Fica claro que as regras só se aplicam quando convém aos líderes. E falando em surpresas, impossível não mencionar o fôlego que o episódio nos tira ao entregar uma participação relâmpago de Margaret Atwood, a autora dos livros, cruzando com a Tia Lydia nos corredores da prisão de Becka. Um belo agrado aos fãs!
O despertar de Hannah e a nova rebelião
No meio de tanta tragédia, surge uma chama de esperança fantástica com o núcleo de Daisy e Agnes. A sequência em que Daisy se recusa a fugir com o Mayday após ficar cara a cara com June é potente. Quando June descobre que sua filha Hannah está ali, e que se transformou em uma garota cheia de coragem sob o nome de Agnes, a hesitação em deixar Daisy voltar é palpável.
O grande clímax emocional se dá quando Daisy conta toda a verdade para Agnes. Descobrir que sua mãe é June, a “terrorista” número um de Gilead, choca a jovem a princípio. Mas o momento em que Agnes busca seus pertences escondidos e desdobra um desenho antigo assinado como “Hannah” arranca lágrimas fáceis. Ela não só lembra do passado, mas entende sua força.
A mensagem final de Daisy no pote de mel para June, dizendo que construirá um exército porque “nada é mais poderoso que uma adolescente”, é de arrepiar. A imagem que encerra a temporada com Daisy, Agnes e Shunammite de mãos dadas pelos corredores é a prova de que a maior ameaça a Gilead não é o Mayday, mas sim a rebelião das meninas que eles tentaram silenciar.
Conclusão
Em vez de depender de grandes espetáculos visuais de guerra, o final da primeira temporada de Os Testamentos: Das Filhas de Gilead acerta em focar no peso das decisões humanas e no custo de viver em uma ditadura teocrática.
A temporada foi bem-sucedida em pegar a tocha de The Handmaid’s Tale e focar nas dores, no crescimento e na ira da geração mais jovem. Com Becka destruída, Lydia conspirando nas sombras e Hannah ciente de sua identidade, a guerra interna está oficialmente declarada. A segunda temporada promete ser eletrizante, pois, se tem uma coisa que a série nos ensinou hoje, é que ninguém deve subestimar uma jovem sem nada a perder.
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Onde assistir à série Os Testamentos: Das Filhas de Gilead?
Trailer da série Os Testamentos: Das Filhas de Gilead
Elenco de Os Testamentos: Das Filhas de Gilead, do Disney+
- Ann Dowd
- Chase Infiniti
- Lucy Halliday
- Mabel Li
- Amy Seimetz
- Brad Alexander
- Rowan Blanchard
- Mattea Conforti
- Zarrin Darnell-Martin
- Eva Foote
- Isolde Ardies
- Shechinah Mpumlwana
- Birva Pandya
- Kira Guloien
- Elisabeth Moss
















