Olá, caro leitor. Bem-vindo! Em “Caso 137”, esqueça a Paris glamorosa de hoje e vamos à realidade da Cidade-Luz em 2018, quando eclodiu o Movimento dos Coletes Amarelos (Mouvement des gilets jaunes), em que a população da França saiu às ruas espontaneamente para protestar contra o aumento de impostos, as reformas fiscais do governo Macron e questões ligadas às emissões de carbono.
O que começou de forma pacífica acabou se transformando em ataques e depredações, gerando descontrole nas cidades, com a polícia chegando a atirar balas de borracha contra manifestantes e a ferir gravemente dezenas de pessoas, além de 14 mortes constatadas. Esse movimento acabou se proliferando em outros países da Europa.
Além de Paris, conheceremos também um pouco de Saint-Dizier, uma comuna francesa na região administrativa de Grand Est, no departamento de Haute-Marne. Estende-se por uma área de 47,69 km², com 30.900 habitantes, segundo os censos de 1999, e densidade de 647 hab./km². (Fonte: Wikipédia.)
Sinopse
Apesar de o roteiro ter sido baseado em fatos reais, não se trata de um documentário sobre um caso específico. Nossa protagonista é Stéphanie Bertrand (Léa Drucker, de Culpa e Desejo), funcionária da Polícia das Polícias (IGPN – Inspeção Geral da Polícia Nacional), o equivalente à nossa Corregedoria. Seu papel é investigar o comportamento de policiais com base em denúncias de abuso e violência injustificada.
Ao iniciar as investigações sobre as ocorrências envolvendo a equipe policial durante o Movimento dos Coletes Amarelos, Stéphanie se depara com as questões internas da corporação, o corporativismo, a opinião pública e até problemas em sua vida pessoal, especialmente na relação com seu filho Victor (Solan Machado-Graner, de Le Choix), fruto de seu casamento anterior com um colega de polícia, Jérémy (Stanislas Merhar, de Fanon). Atualmente, Jérémy namora Noélie (Antonia Buresi, de The Victoria System), integrante do sindicato dos policiais franceses.
Crítica do filme Caso 137
Logo no início, encontramos Stéphanie interrogando um policial que participou da repressão aos protestos populares e que aparece em vídeo atirando uma pedra contra um manifestante. Mesmo diante dessa prova tão convincente, o policial se mostra relutante em admitir que houve exagero de sua parte.
Já temos uma ideia do que virá pela frente com a função que ela exerce, pois poucas coisas são mais amargas do que ter de encontrar provas contra os próprios colegas. Stéphanie fazia parte da corporação, mas preferiu ingressar nessa área administrativa, basicamente para poder estar mais próxima de seu filho.
Um caso mais contundente chega às suas mãos: um garoto chamado Guillaume Girard, que participava do movimento, foi atingido na cabeça por uma bala de borracha e ficou seriamente ferido.
Chegam, então, para depor, a mãe de Guillaume, Joëlle Girard (Sandra Colombo, de Amantes e Traições), junto com a irmã dele, Sonia (Mathilde Riu, de Coma). É nesse momento que começam a aparecer as questões sociais envolvendo o local em que a família Girard vive — Saint-Dizier, já citada acima —, bem como o abandono que essas pessoas sentem por parte da sociedade e até da própria polícia.

Stéphanie, ao saber do local onde vivem, mostra-se surpresa, mas não deixa transparecer que ali é o lugar onde nasceu e onde seus pais vivem até hoje.
Ao investigar, junto com seu colega da IGPN, os possíveis autores do disparo que atingiu o rapaz, eles colhem o testemunho de um amigo que estava com ele no momento e que presenciou o ocorrido. A partir daí, começa a busca por uma prova contundente sobre quem, naquela equipe policial, estava no local e poderia ser o responsável pelo fato trágico.
Finalmente, encontram algo que poderá esclarecer o caso, mas o status quo da polícia atrapalha bastante as investigações, somado ao medo da população de “abrir a boca” para ajudar.
Stéphanie começa a enxergar esse caso como algo quase pessoal, sem deixar de envolver seu lado humano na questão, o que pode acabar se voltando contra ela dentro da própria polícia.
Conclusão
Corra o mundo, mas você verá que o glamour está apenas no turismo. Os fatos reais são mais ou menos como quando apresentamos ao mundo o lado maravilhoso de nosso país, mas, internamente, sabemos o tamanho dos nossos problemas com crimes, abusos policiais, abusos de autoridade, denúncias não acolhidas, injustiças cometidas etc.
Nem sempre a verdade, mesmo quando desvendada, é capaz de fazer justiça.
O corporativismo existe em qualquer país, em qualquer sociedade. Ele serve para blindar sua imagem e impedir que a opinião pública destrua, seja qual for, a origem da corporação.
Isso, com certeza, pode atrapalhar a realização da justiça.
Neste roteiro, fica bem escancarado o processo ao qual estamos sujeitos, e a construção nua e crua de um fato que poderia ter sido real é muito bem feita.
Não há exploração de imagens turísticas, apenas dos prédios de Paris no dia a dia e do visual de Saint-Dizier como um município igual a tantos outros, com tantas pessoas comuns como nós, com suas dificuldades, sem residências de luxo, e que apenas buscam dignidade em suas vidas. Trata-se de uma filmagem fria, objetiva, sem emoções calculadas.
Uma pipoca vai bem, pois são quase 120 minutos de sessão. Bom filme!!
Trailer do filme Caso 137
Elenco de Caso 137 (2026)
- Léa Drucker (Stéphanie)
- Jonathan Turnbull (Benoît)
- Mathilde Roehrich (Carole)
- Pascal Sangla (Marc)
- Claire Bodson (Valérie)
- Florence Viala (Mme Jarry)
- Hélène Alexandridis (Mme Nicollet)

















