Jogada de Risco série brasileira do Globoplay de 2026

‘Jogada de Risco’: muito além das cenas quentes, nova série do Globoplay acerta no suspense

Foto: Globoplay / Divulgação
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A nova série do Globoplay, Jogada de Risco, chegou fazendo barulho nas redes sociais e nas rodas de conversa. Idealizada e estrelada por Cauã Reymond, a trama promete mergulhar de cabeça nos bastidores obscuros do futebol brasileiro, mas nestes dois primeiros episódios, acabou chamando muito mais atenção pelo tom adulto e pelas cenas quentes do que pelo esporte em si.

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Sinopse

Acompanhamos a trajetória de Maurício (Cauã Reymond), um ex-craque que teve a carreira afundada precocemente por lesões e pela gestão irresponsável do próprio pai, o ex-agente Valdemar (Marcos Frota). Tentando se reerguer e encontrar a vitória fora dos gramados, Maurício vira empresário esportivo e se junta à brilhante e ambiciosa advogada Cris (Mariana Sena) para gerenciar jovens promessas como o fenômeno Luan (Juan Paiva) e o jogador Geraldo (Breno Ferreira).

No meio do caminho, ele esbarra em figuras complexas, como o antigo rival e atual homem forte do futebol Fernando Veiga (Marcelo Adnet), o agiota Walter (Ricardo Teodoro) e a poderosa cafetina Rita (Letícia Colin), mergulhando num submundo repleto de dívidas, fraudes e festas de luxo.

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Crítica dos dois primeiros episódios da série Jogada de Risco

O apelo visual e o excesso de ousadia

Já nos primeiros minutos, o roteiro acerta em cheio ao jogar Maurício de cabeça para baixo — literalmente —, construindo um mistério e um gancho excelentes que nos fazem questionar como um empresário tão influente chegou àquela situação extrema. No entanto, passada essa adrenalina inicial, a série parece focar demais nas cenas de sexo, utilizando-as quase como uma isca para chocar o público, o que acaba deixando as tramas complexas do universo do futebol em segundo plano.

Vemos sequências bastante explícitas envolvendo Daniele (Bruna Griphao) e Luan logo de cara, além de um momento em que duas relações sexuais são mostradas simultaneamente. Outro ponto muito comentado foi o nu frontal de Breno Ferreira no vestiário, que parece ter sido colocado ali mais pelo choque visual e ousadia gratuita do que por uma necessidade real da narrativa, já que a discussão dramática funcionaria da mesma forma com os atores de toalha.

Jogada de Risco série brasileira do Globoplay de 2026
Foto: Globoplay / Divulgação

Atuações de peso salvam a trama superficial

Se o roteiro derrapa ao priorizar a pele em vez da profundidade do esporte, o elenco segura as pontas de forma magistral. Cauã Reymond entrega o que já pode ser considerado o melhor trabalho de sua carreira até aqui, trazendo uma interpretação natural, madura e cheia de fragilidades para Maurício. Ele foge do galã intocável e abraça os fracassos de um homem ambicioso.

Juan Paiva também brilha ao mostrar a dualidade de Luan, um garoto que é uma fera no campo, mas incrivelmente vulnerável fora dele, a ponto de sofrer uma parada cardíaca após misturar remédios (zolpidem e tadalafila) antes de um jogo decisivo. Letícia Colin rouba a cena injetando uma carga emocional muito forte na cafetina Rita, fugindo do estereótipo raso da “mulher fatal”. E claro, vale destacar a boa surpresa de ver Marcelo Adnet saindo de sua clássica zona de conforto da comédia para encarnar um vilão calculista.

Direção ágil, mas com promessas a cumprir

A dobradinha entre a supervisão de texto de Lucas Paraizo e a direção de Bruno Safadi garante episódios redondinhos de cerca de 30 minutos, com um ritmo alucinante que não deixa ninguém respirar. A fotografia caprichada e a estética mais noturna combinam perfeitamente com a atmosfera pesada e adulta da série. A cena em que Maurício e Cris improvisam uma fraude no exame antidoping usando a urina de Geraldo para salvar a pele de Luan é o puro suco da tensão bem executada e mostra até onde essas pessoas estão dispostas a ir por dinheiro.

O grande risco para a temporada, contudo, é tentar abraçar temas demais. Com manipulação de apostas, corrupção, esquemas de doping, exploração sexual, homossexualidade no esporte e brigas familiares dividindo o mesmo espaço, a série corre o perigo de tratar alguns desses debates cruciais com superficialidade em seus curtos oito episódios.

Série Jogada de Risco é boa?

Jogada de Risco entrega uma estreia eletrizante e consolida uma fase mais ousada da dramaturgia nacional, quebrando o padrão engessado e provando que o público brasileiro está pronto para narrativas viscerais e sem filtro moralista.

Contudo, para se consagrar como um verdadeiro sucesso de crítica, a produção precisa provar nos próximos capítulos que é mais do que apenas um desfile de corpos nus e festas VIP, mergulhando de fato na humanidade de seus personagens. A bola está rolando, as peças estão no tabuleiro e o potencial para um golaço é gigante.

Trailer da série Jogada de Risco (2026)

YouTube player

Elenco de Jogada de Risco, do Globoplay

  • Cauã Reymond
  • Mariana Sena
  • Juan Paiva
  • Letícia Colin
  • Marcelo Adnet
  • Bruna Griphao
  • Breno Ferreira
  • Marcos Frota
  • Cauê Campos
  • Ricardo Teodoro

Ficha técnica

  • Título: Jogada de Risco
  • Criação original: Cauã Reymond, Thiago Dottori e Sofia Maria
  • Direção: Bruno Safadi, Cauã Reymond e Daniel Lentini
  • Elenco principal:
  • Onde assistir: Globoplay
  • Data de lançamento: 23 de julho de 2026
  • Episódios: 8 (lançamentos semanais)
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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