Se você achou que a primeira temporada de Magnatas do Crime (The Gentlemen) era apenas uma desculpa estilosa para o diretor Guy Ritchie vestir atores bonitos com casacos de tweed caros e fazê-los falar gírias britânicas chiques enquanto traficam maconha, parabéns: você estava absolutamente certo. E a segunda temporada, que estreou na Netflix em 3 de setembro de 2026, dobra essa aposta.
Mas agora, o tom mudou. O humor ácido de antes dá lugar a uma vibe muito mais sombria, que faz o protagonista Eddie Horniman parecer menos um herói relutante e mais um aprendiz de Michael Corleone de grife.
Nesta crítica, vamos analisar como a série expandiu seu império de excessos para a Itália, por que o ritmo às vezes derrapa como um esportivo de luxo na lama e como um desfecho sangrento envolvendo uma motosserra provou que, no submundo de Guy Ritchie, a família é a primeira a te apunhalar pelas costas.
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Uma imersão sombria no império da erva
No primeiro ano da série, Eddie Horniman (Theo James), o 13º Duque de Halstead, passou a maior parte do tempo tentando tirar sua família das garras da família criminosa de Bobby Glass (Ray Winstone). Agora? “Ele quer mais”. Cerca de um ano após assumir os negócios, Eddie não quer apenas sobreviver ao jogo; ele quer mandar nele. Theo James entrega uma atuação muito mais rica e fria, canalizando o clássico arco de Walter White em Breaking Bad ou de Michael Corleone em O Poderoso Chefão.
A mudança é tão drástica que o primeiro episódio já abre com um flash-forward desesperador: Eddie rastejando pela lama, meio morto, com as duas pernas e um braço quebrados, tentando seguir um bilhete enigmático que diz “Siga o X”. É um lembrete visual de que brincar de gângster quando se tem sangue azul cobra seu preço.
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Desperdício de química
Para saciar essa nova ambição, Eddie e sua parceira de negócios Susie Glass (Kaya Scodelario) levam a operação para além da propriedade de 15.000 acres de Halstead. Eles miram as águas deslumbrantes do Lago Maggiore, na Itália. A ideia de expandir o império é ótima no papel, mas na prática, o roteiro de Guy Ritchie e Matthew Read comete um pecado capital: afasta seus dois melhores ativos.
A química elétrica e cheia de tensão sexual não consumada entre Eddie e Susie — um dos motores da primeira temporada — é quase congelada aqui. Em vez de deixá-los interagir, a série os separa geograficamente e enfia goela abaixo do espectador interesses amorosos bem mornos. Eddie se envolve com a Condessa italiana Bella (Benedetta Porcaroli), uma jovem aristocrata que não se abala com a violência dele, enquanto Susie se reaproxima do antigo amigo Joe Green, que mais tarde se mostra um traidor de marca maior. O resultado? O meio da temporada perde aquele magnetismo dinâmico e fica um pouco arrastado.

O lado ridículo (e maravilhoso) de Guy Ritchie
Se o enredo principal às vezes se leva a sério demais, as missões secundárias nos lembram que ainda estamos no universo caótico de Ritchie. Temos de tudo nesta temporada:
A sauna flutuante de Bobby
O patriarca Bobby Glass continua preso, mas comanda tudo de uma sauna luxuosa à beira do lago, construída especialmente com uma passagem secreta para um mergulho gelado na água. O designer de produção Martyn John revelou que a ideia veio de uma conversa com o próprio Guy Ritchie, que queria que a estrutura flutuasse (o que foi vetado por questões de segurança elétrica, claro).
A lenda do “Banic”
Bobby toma suas decisões consultando a bizarra lenda de uma criatura chamada “banic”, que responde perguntas dando um tapinha nas costas ou um arranhão doloroso. No final, o arranhão que Bobby recebe prenuncia que o Duque não é mais tão confiável assim.
O roubo do Botticelli de 16 milhões
Em uma cena digna de comédia pastelão chique, Eddie e Susie gastam uma fortuna em um leilão para comprar a pintura A Virgem e o Menino Entronados, apenas para serem assaltados por ladrões de moto no estacionamento logo em seguida.
A saga do falcão sagrado
O episódio 4 é uma odisseia bizarra onde Eddie e Susie precisam caçar um falcão-sacre branco de 1 milhão de libras para subornar o traficante de cocaína Pat Gallagher e salvar o filho endividado de uma bispa (cujos votos no parlamento Eddie precisa para aprovar a lei de descriminalização da maconha). Para piorar, quando finalmente encontram o pássaro, tiram o capuz dele e a ave voa atrás de um drone! É o ápice do ridículo divertido.
O espetáculo visual de Stephen Murphy
Se há algo que não se pode criticar em Magnatas do Crime, é a sua estética impecável. O diretor de fotografia Stephen Murphy, que comandou os episódios 4 e 5 ao lado do diretor Eran Creevy, trouxe um visual muito mais sombrio, inspirado no cinema de Tony Scott dos anos 80.
O clímax do episódio 5, ambientado em um hangar de aeroporto com forte uso de fumaça, luzes vermelhas e sombras dramáticas, foi filmado com lentes anamórficas Panavision C-Series. O resultado é pura poesia cinematográfica, destacando o figurino luxuoso de Loulou Bontemps e o design de produção soberbo, que misturou locações reais no Reino Unido com palácios históricos na Itália.
“Good Boy, Freddy”
O grande roubo de cena da primeira temporada, Freddy Horniman (Daniel Ings), o irmão mais velho mimado e viciado em cocaína, é lamentavelmente deixado de lado na maior parte deste ano, trancado em uma trama de reabilitação. No entanto, sua presença é vital para o desfecho trágico da temporada.
Manipulado por Gospel John (que usa a história bíblica de Jacó e Esaú para alimentar o ressentimento de Freddy por ter perdido o título de duque para o irmão mais novo), Freddy trai Eddie. Ele ajuda no plano que resulta no ataque armado a Halstead Manor (onde o bebê Tarquin quase é sequestrado) e na explosão do hidroavião que mata Bella, a nova esposa de Eddie, logo após o casamento na Itália.
Quando Eddie descobre a traição, a expectativa era de um fratricídio clássico. Mas o que Eddie faz é muito pior: ele espanca Freddy, mas em vez de matá-lo, revela o arquiteto da traição, Dixon, amarrado dentro de uma van. Ele joga uma motosserra nas mãos de Freddy e o força a fazer o serviço sujo.
Quando Freddy emerge da van, ensopado de sangue e segurando a cabeça decepada de Dixon, Eddie apenas sorri friamente e diz: “Good boy, Freddy” (Bom garoto, Freddy). Não há perdão aqui. Ao manter o irmão vivo sob rédea curta, Eddie estabelece sua dominância absoluta. Ele aprendeu a usar o terror psicológico como a derradeira ferramenta de poder, consagrando sua transformação em um verdadeiro monstro do crime.
A temporada 2 de Magnatas do Crime vale a maratona?
Com seus 8 episódios que somam 7 horas e 21 minutos, a segunda temporada de Magnatas do Crime é uma jornada estilosa, sangrenta e muito divertida, embora o ritmo sofra com subtramas desnecessárias e o afastamento temporário de sua dupla central.
Ainda assim, o carisma magnético de Theo James e Kaya Scodelario, a química palpável de fundo entre Geoffrey (Vinnie Jones) e Lady Sabrina (Joely Richardson) e o banquete visual de Stephen Murphy tornam a série um dos melhores produtos da Netflix no ano. O tabuleiro está montado para uma terceira temporada (já confirmada) que promete ser ainda mais caótica e cruel.
Ficha técnica da temporada 2 de Magnatas do Crime
| Título Original | The Gentlemen (Season 2) |
| Criador | Guy Ritchie |
| Roteiristas Principais | Guy Ritchie, Matthew Read |
| Diretores | Guy Ritchie (Episódios 1, 8 e outros), Eran Creevy (Episódios 4 e 5), Nick Rowland (Episódio 7 – Penúltimo) |
| Direção de Fotografia | Stephen Murphy (Episódios 4 e 5) |
| Design de Produção | Martyn John |
| Figurino | Loulou Bontemps |
| Elenco Principal | Theo James (Eddie Horniman), Kaya Scodelario (Susie Glass), Daniel Ings (Freddy Horniman), Ray Winstone (Bobby Glass), Joely Richardson (Lady Sabrina), Vinnie Jones (Geoff), Jasmine Blackborow (Charly), Benjamin Clementine (Nanny), Giancarlo Esposito (Stanley Johnston) |
| Novos Membros do Elenco | Sergio Castellitto (Marco Moretti), Michele Morrone (Cico Maldini), Benedetta Porcaroli (Bella), Hugh Bonneville (Lord Hawthorne) |
| Plataforma de Transmissão | Netflix |
| Data de Lançamento | 3 de setembro de 2026 |
| Número de Episódios | 8 |
| Duração Total | Aprox. 7 horas e 21 minutos (441 minutos) |
| Classificação Indicativa | 16 anos |

















