Se você achava que uma série sobre policiais espaciais com anéis mágicos seria apenas pancadaria cósmica e efeitos visuais genéricos, Lanternas veio te dar um belo tapa de realidade. O quarto episódio, apropriadamente intitulado “O Ícone”, começa provando que Damon Lindelof e sua equipe de roteiristas continuam obcecados por piadas de quinta série. Mas calma: “weenie” aqui não é exatamente o que sua mente poluída pensou (pelo menos não no início).
John Stewart (Aaron Pierre) logo explica para um confuso Hal Jordan (Kyle Chandler) que o termo foi inventado por ninguém menos que Walt Disney para descrever o ponto focal visual de seus parques — como o imponente castelo da Cinderela —, aquela estrutura que naturalmente atrai a atenção de todos. No caso de Rushville, o “weenie” é o casarão principal do rancho de William Macon (Garret Dillahunt), onde a dupla desconfia que o Caçador Cósmico está escondido.
O plano de invasão? Usar o anel verde para criar uma tuneladora gigante e entrar por baixo da terra. É um momento maravilhoso que destaca a formação artística de John, cujos constructos são extremamente detalhados, cirúrgicos e muito distantes da brutalidade simplista de Hal.
Só que a vaidade de Hal bota tudo a perder: ao pisar em um sensor de pressão digno de Indiana Jones, John tenta criar um contrapeso de 185 libras (uma baita referência nerd à edição clássica de quadrinhos Green Lantern #185, que conta a origem de John Stewart). Mas como Hal mentiu sobre seu verdadeiro peso, o alarme dispara e os dois são recebidos por uma fumaça negra que desativa a luz do anel. Parabéns aos envolvidos pela brilhante execução!
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Anatomia artística e terapia de casal onvoluntária
A captura da nossa dupla favorita nos leva diretamente à cena mais bizarra, engraçada e memorável da série até agora: William Macon decide interrogá-los completamente pelado e pede para John Stewart desenhá-lo “como uma de suas garotas francesas”. Enquanto Hal sussurra em pânico perguntando se aquilo é tão estranho quanto parece, John, com seu clássico semblante de pedra, simplesmente pega o carvão e faz um esboço detalhadíssimo do “pacote” do fazendeiro. Se isso não é profissionalismo de um ex-estudante de artes, eu não sei o que é!
Nesse bizarro interrogatório de nudez artística, descobrimos que o tal “benfeitor misterioso” de Macon curou seu câncer no passado, e que sua esposa, Zoe Macon (Poorna Jagannathan), era a enfermeira que cuidava dele. Em troca de proteção à criatura, Rushville virou uma espécie de utopia bizarra onde os milicianos de Macon usam tecnologia alienígena avançada, as plantações prosperam e o hospital local está completamente vazio porque ninguém fica doente.
Para a sorte de todos, a xerife Kerry Kane (Kelly Macdonald) — que descobrimos ter vindo de Gotham City, acendendo o radar para possíveis conexões com a família de Bruce Wayne — aparece para simular uma prisão e tirar os dois dali antes que as coisas ficassem ainda mais expostas.
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Amor espacial, satélite de estimação e show de Hector Gutierrez
O envolvimento de John com Zoe escala rápido. Ela faz uma visita surpresa ao quarto de hotel dele, rola uma química fortíssima entre os dois e, logo após ela alertar que ele precisa ir embora porque “tudo vai mudar”, ela entra em sua caminhonete e é pulverizada por um laser vermelho vindo diretamente do céu. John fica em frangalhos. Em uma reação fantástica, Hal Jordan voa até a órbita da Terra, captura o satélite disparador e o traz fisicamente para o estacionamento do motel, gerando uma cúpula verde gigante para proteger o local. Um lembrete visual absurdo de que, por trás de toda a pegada de suspense policial urbano, eles ainda são heróis espaciais superpoderosos.
A busca pela Atlas Inc. (empresa dona do satélite) leva a dupla a um matadouro de alta tecnologia extremamente perturbador, onde funcionários agem como robôs e vacas são fatiadas ao atravessar portais negros. Lá, eles confrontam o clássico vilão dos quadrinhos Hector Hammond (Jason Manuel Olazábal). Mas como mentira e manipulação são os temas centrais deste roteiro brilhantemente amarrado por Breannah Gibson, nada é o que parece.
O suposto vilão não passa de Hector Gutierrez, um fazendeiro local usado como isca pelo verdadeiro Caçador. Para piorar, ele toca uma gravação secreta feita no quarto de hotel onde John diz à Guardiã Lianna (Laura Linney) que quer pegar o anel porque Hal está “velho, cansado e com o tempo esgotado”. O climão de constrangimento no recinto é tão pesado que dava para cortar com uma faca.

Quando o mentor é um Hannibal Lecter de pele roxa
Enquanto a dinâmica na Terra desmorona, a manipulação cósmica dita o ritmo. O episódio abre com o aguardado reencontro de Hal com seu ex-mentor encarcerado, Sinestro (Ulrich Thomsen). Thomsen entrega um Sinestro irretocável, agindo como um verdadeiro Hannibal Lecter espacial, sussurrando paranoias no ouvido de seu antigo pupilo e dizendo que ele precisará matar John Stewart antes que seja substituído. Ele ainda joga uma pista crucial sobre como os Caçadores têm corações imperfeitos que se cristalizam quando morrem.
Do outro lado, a Guardiã Lianna faz exatamente o mesmo jogo mental com John, usando suas inseguranças e traumas familiares para convencê-lo a tomar o anel de Hal à força recitando o juramento. É um emaranhado de mentiras tão bem construído que deixa claro: o medo está paralisando e corrompendo os personagens muito antes de qualquer anel amarelo entrar em cena.
A ruptura final: o seguro de carro que lute
A viagem de carro no final do episódio é um teste de sobrevivência psicológica. Hal parece incrivelmente calmo e chega a dizer que perdoa John pela gravação conspiratória. Mas o veterano não é bobo. Ele liga os pontos e percebe o óbvio: a falta de desespero real de John ao ver a namorada explodir no estacionamento não era frieza de soldado; era a certeza de que ela não estava morta. E a única criatura capaz de sobreviver àquela explosão molecular é o próprio Caçador Cósmico sintético.
A revelação cai como uma bomba: Zoe Macon é a criatura alienígena que eles procuravam. Ela se aproximou de John não por amor, mas por puro reconhecimento de território, e o marido, William, sabia de tudo e a protegia. Pior do que descobrir que dormiu com o inimigo, John percebe que Hal descobriu que ele escondeu essa suspeita por puro conflito de interesses.
Com o nível de confiança zerado, Hal Jordan olha para o parceiro, solta um debochado “Desculpe pelo carro de aluguel”, dá uma risada e simplesmente pula do veículo em movimento. Sem o anel e sem asas, John Stewart assiste de camarote ao carro se chocar violentamente contra um poste de eletricidade. Com os alienígenas de Antaan prestes a explodir Rushville e a parceria dos heróis totalmente estraçalhada, o episódio 4 termina da forma mais cruel e brilhante possível, nos deixando completamente fisgados para o que vem a seguir.
🤠 O que você achou dessa investigação pelada e do salto de Hal Jordan? Se o seu corretor de seguros não enfartar com esse final, nada mais enfarta. Deixe suas teorias nos comentários e vamos debater se Zoe realmente tem sentimentos pelo nosso “terror das casadas” ou se era tudo pura espionagem espacial!
Ficha técnica: Lanternas (Temporada 1, Episódio 4)
| Série | Lanternas (Lanterns) |
| Criadores | Chris Mundy, Damon Lindelof e Tom King |
| Roteiro | Breannah Gibson |
| Direção | Geeta Vasant Patel |
| Elenco Principal | Kyle Chandler (Hal Jordan), Aaron Pierre (John Stewart), Kelly Macdonald (Kerry Kane), Garret Dillahunt (William Macon), Poorna Jagannathan (Zoe Macon), Ulrich Thomsen (Sinestro), Laura Linney (Lianna), Jason Manuel Olazábal (Hector Hammond / Gutierrez) |
| Plataforma de Streaming | HBO Max |
| Data de Lançamento | 6 de setembro de 2026 |

















