Muito Prazer é o novo filme nacional dirigido por Jorge Furtado (O Auto da Compadecida 2), que estreia nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, nos cinemas brasileiros. O longa-metragem analisa as fronteiras entre a privacidade e o meio digital ao acompanhar dois sócios que tentam reerguer um estabelecimento falido.
Por meio de uma narrativa focada nas contradições humanas, a obra aborda o equilíbrio entre a necessidade financeira e os limites da exposição individual no mundo atual. Dessa forma, a produção convida o espectador a refletir sobre as escolhas morais que tomamos quando a sobrevivência financeira entra em conflito com a ética.
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Na trama, Rubem (Daniel de Oliveira) é um motorista de aplicativo sem perspectivas que recebe uma herança inesperada: o Motel Pérola, que logo descobre ser um prédio em ruínas. Lá, ele conhece Grace (Luisa Arraes), ex-funcionária que ficou morando numa das suítes quando o local fechou. Afundados em dívidas, os dois decidem se unir para reativar o negócio.
Com a ajuda de Nalva (Samantha Jones), uma jovem com grande conhecimento em tecnologia, o grupo desenvolve um plano para gravar a intimidade dos clientes e comercializar esses registros em plataformas pagas na internet. O plano logo passa a gerar lucros expressivos, mas também traz graves complicações éticas e de segurança para os envolvidos.
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O dilema ético
O grande dilema ético do filme reside na conduta dos protagonistas diante de uma oportunidade rentável. Mesmo cientes da gravidade e da ilegalidade da gravação clandestina dos hóspedes, Rubem, Grace e Nalva decidem prosseguir com a ideia impulsionados pela necessidade financeira e pela chance de obter lucros expressivos.
Embora a ação não cause danos diretos aos frequentadores do local, a captação de imagens sem autorização configura um grave desrespeito à intimidade alheia, evidenciando o conflito entre a busca pelo ganho financeiro e a violação do direito à privacidade.

Tom e ritmo
O que poderia cair num assunto muito sério devido às atitudes dos personagens ganha leveza sob a condução do diretor, que prefere abordar a invasão de privacidade por meio do humor e de um tom romanceado.
A narrativa equilibra bem os momentos divertidos com o desenvolvimento da relação entre os protagonistas, cujas interações trazem bom ritmo à história. Dessa forma, o roteiro aposta em piadas situacionais e em um clima mais ameno, funcionando de maneira eficiente tanto no aspecto cômico quanto no arco romântico.
Direção e elenco
No aspecto técnico e interpretativo, a direção se sobressai ao transformar uma questão cotidiana em uma narrativa fluida e dinâmica. O elenco principal apresenta um bom trabalho em conjunto, com destaque para mais uma parceria bem-sucedida entre o diretor e Daniel de Oliveira, que já realizaram obras como Decamerão: A Comédia do Sexo (2009) e A História do Amor (2011).
As atuações de Luisa Arraes (Grande Sertão) e Samantha Jones (Couraça), que acabou sendo o maior destaque para mim, enriquecem a condução da história. Somadas a elas temos as participações seguras de Drica Moraes (As Verdades) e Felipe Velozo (Irmãos Freitas), este último responsável por um momento de alívio cômico muito eficiente já no último ato.
Vale a pena assistir ao filme Muito Prazer?
Muito Prazer chega como uma produção correta e divertida, que cumpre o objetivo de entreter sem buscar um aprofundamento denso sobre sua crítica social. Apesar dessa leveza na condução, o tema abordado desperta reflexões reais sobre os limites da privacidade, aspecto reforçado inclusive pelas discussões promovidas com especialistas em algumas sessões antes de sua estreia comercial.
Trata-se de uma obra eficiente em seu propósito, capaz de provocar questionamentos morais válidos enquanto entrega um entretenimento acessível ao público.
Ficha técnica
| Título | Muito Prazer |
| Direção e Roteiro | Jorge Furtado |
| Produção Executiva | Nora Goulart |
| Direção de Fotografia | Lívia Pasqual |
| Montagem | Giba Assis Brasil, edt. |
| Direção de Arte | Fiapo Barth, Dayane Paz |
| Figurinos | Rosângela Cortinhas |
| Produção de Elenco | Daniela Silveira |
| Direção de Produção | Glauco Urbim |
| Som Direto | Rafael Rodrigues |
| Caracterização | Jojo Silveira, Juliane Senna |
| Trilha Sonora Original | Maurício Nader |
| Desenho de Som | Kiko Ferraz, Ricardo Costa |
| Elenco Principal | Daniel de Oliveira (Rubem), Luisa Arraes (Grace), Samantha Jones (Nalva), Felipe Velozo (Arlindo), Drica Moraes (Mariana) |
| Produção | Casa de Cinema de Porto Alegre |
| Coprodução | Globo Filmes |
| Distribuição | Elo Studios |
| Data de Estreia | 27 de agosto |















