Se você é fã de suspense psicológico e investigações criminais sombrias, a Netflix acaba de lançar um daqueles títulos que saltam aos olhos logo no menu. Dirigido por James Ashcroft e produzido pelos aclamados Irmãos Russo (Anthony Russo e Joe Russo), O Homem que Sussurra (The Whisper Man) estreou neste dia 28 de agosto de 2026 prometendo resgatar o melhor daquele clima tenso de thrillers clássicos.
No papel, o pacote é irresistível: uma adaptação do aterrorizante best-seller de Alex North, um elenco estrelado e muita fumaça de mistério no ar. Mas será que o filme entrega tudo o que promete, ou é só mais uma daquelas produções para assistir mexendo no celular?
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Entre sussurros do passado e sombras do presente
A história nos apresenta Tom Kennedy (interpretado por Adam Scott), um escritor de romances policiais que está lidando com um bloqueio criativo devastador após a morte de sua esposa, Rebecca. Buscando um recomeço do zero, ele decide se mudar com o filho de oito anos, Jake (Acston Luca Porto), para a isolada cidade de Featherbank — que na adaptação para as telas ganha o nome de Garrenton.
O problema é que o “recomeço” já começa com o pé esquerdo. Antes mesmo de desencaixotarem as malas, eles se deparam com a detetive Amanda Beck (vivida por Michelle Monaghan) liderando uma busca policial em um campo vizinho, onde encontram o corpo de um garoto brutalmente assassinado com o rosto coberto.
Para piorar, a cidade vive sob o pavor de um novo sequestrador que parece imitar o modus operandi de um antigo pesadelo local: Frank Carter (interpretado por um assustador Michael Keaton). Conhecido como “O Homem que Sussurra“, Frank costumava atrair crianças sussurrando rimas assustadoras perto de suas casas antes de sequestrá-las. Mas ele está trancado atrás das grades há 25 anos.
A tensão escala rapidamente quando o pequeno Jake também desaparece. Desesperado, Tom é obrigado a engolir o orgulho e recorrer ao seu pai ausente, Pete Willis (Robert De Niro), o detetive aposentado que capturou o assassino original décadas atrás. A partir daí, o filme mergulha em uma teia de traumas herdados e fantasmas familiares que se mostram tão perigosos quanto o próprio sequestrador.
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Onde o filme brilha
Se há algo que segura o espectador na poltrona durante a primeira metade da projeção, é a atmosfera de pura paranoia construída pela direção de James Ashcroft e pela belíssima (e assustadora) fotografia de Peter Deming (conhecido por seu trabalho em Cidade dos Sonhos).
A casa gótica alugada por Tom tem aquele ar claustrofóbico perfeito. O uso inteligente do espaço negativo, as noites chuvosas, os sussurros de fundo e detalhes simples — como uma mão com luva azul esticando-se pela fresta da caixa de correio — constroem uma sensação constante de desconforto.
Há também um toque de mistério quase sobrenatural que envolve os “amigos imaginários” de Jake (como a menina de casaco azul, que simboliza a perda da mãe). Aliás, essa dinâmica foi inspirada em uma história real bizarra: o autor Alex North começou a escrever o livro após ouvir seu próprio filho pequeno conversando sozinho no chão do quarto com um “amigo invisível”.
Outro ponto altíssimo é a performance de Michael Keaton. Mesmo aparecendo de forma limitada em uma cela de prisão, ele entrega um vilão cínico, depravado e assustadoramente magnético, fazendo com que o espectador queira mais cenas dele. Hamish Linklater também brilha no papel de um colecionador excêntrico e perturbador de objetos ligados a serial killers que serve como um dos principais suspeitos da trama.

E onde ele escorrega
Por outro lado, o desenvolvimento do roteiro assinado por Ben Jacoby e Chase Palmer sofre com a previsibilidade. Se você assiste a suspenses com frequência, provavelmente vai descobrir a identidade do novo sequestrador muito antes dos personagens. O grande mistério gira em torno de Francis Carter (Owen Teague), o filho biológico do assassino original que trabalha como assistente de ensino na escola de Jake sob o pseudônimo de George Carringdon. A premissa de que o trauma de um pai violento se transformou em uma “herança maldita” de crimes é fantástica, mas o filme apressa essa resolução no terceiro ato.
O clímax na casa de Francis se torna um clichê de ação genérico, com personagens caindo por escadas e lutando por armas de forma um tanto desajeitada. Além disso, a atuação de Robert De Niro dividiu opiniões. Enquanto alguns críticos enxergaram profundidade dramática na melancolia de um pai alcoólatra e arrependido, outros sentiram que o lendário ator parecia cansado, quase no piloto automático, entregando suas falas com um desinteresse visível. Adam Scott faz um trabalho correto como o pai desesperado, mas às vezes exagera no drama teatral, caindo na armadilha de confundir gritos com profundidade emocional.
No final das contas, O Homem que Sussurra não chega ao patamar de obras-primas como Seven ou Zodíaco, mas é um suspense sólido e acima da média para os padrões atuais do catálogo de streaming. Ele compensa seus furos de roteiro com uma atmosfera arrepiante e um desfecho agridoce e espiritualmente tocante sobre o perdão e a quebra de ciclos de traumas familiares. Vale o seu final de semana!
Ficha Técnica
- Título Original: The Whisper Man
- Ano de Lançamento: 2026
- Duração: 106 minutos
- País de Origem: Estados Unidos
- Direção: James Ashcroft
- Roteiro: Ben Jacoby e Chase Palmer
- Baseado em: O Homem-Sussurro (romance de Alex North)
- Cinematografia: Peter Deming
- Produção: Anthony Russo e Joe Russo (Irmãos Russo)
- Distribuição: Netflix
Elenco principal
- Robert De Niro como Pete Willis
- Adam Scott como Tom Kennedy
- Michelle Monaghan como Amanda Beck
- Michael Keaton como Frank Carter
- Owen Teague como Francis Carter / George Carringdon
- Hamish Linklater como o colecionador de memorabilia
- Acston Luca Porto como Jake Kennedy














