Leia a crítica do filme The Mastermind (2025) - Flixlândia

‘The Mastermind’ reinventa o filme de assalto com profundidade e realismo

Foto: Imagem Filmes / Divulgação
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“The Mastermind”, dirigido e roteirizado por Kelly Reichardt, resgata o gênero dos filmes de assalto ao usar o roubo como pano de fundo para um estudo de personagem profundo e melancólico.

Com ambientação em 1970, numa pacata cidade de Massachusetts, o longa evoca uma época marcada pelos protestos contra a Guerra do Vietnã e as tensões sócio-políticas relacionadas, enquanto explora as consequências de um crime mal planejado. No centro está James Blaine Mooney (Josh O’Connor), um anti-herói carismático, porém autodestrutivo, cuja vida karma está prestes a se desmoronar.

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Sinopse

James é um carpinteiro desempregado, casado com Terri e pai de dois filhos, que mantém uma vida dupla como ladrão de arte com ambições pouco realistas. A trama começa com ele furtando discretamente uma pequena peça num museu, mas logo se envolve num golpe maior: roubar quatro pinturas de Arthur Dove, um pintor abstrato americano.

A ação ocorre em pouco tempo; o foco do filme está na sequência caótica e amarga desse crime, quando James enfrenta traições, a polícia e a ruína familiar, sempre demonstrando seu narcisismo e incapacidade de enxergar além de seus próprios desejos e impulsos.

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Crítica

Josh O’Connor entrega aqui a sua melhor atuação ao encarnar James como alguém cuja aparência desleixada e irresistível mascara uma infantilidade emocional profunda. Ele é um homem que nunca cresceu de verdade, vivendo de aparências e mentiras, tanto para sua família quanto para ele mesmo. A crítica de Reichardt ao personagem vai além do crime: James simboliza a evasão e a falta de responsabilidade de uma certa geração que navega por vidas comuns sem a maturidade necessária para enfrentar suas próprias falhas.

Diferentemente dos filmes tradicionais de heist, The Mastermind desconsidera o glamour do roubo e se concentra no ângulo mundano e desastroso do pós-crime. Reichardt desmonta a expectativa do espectador preparada para tensão e ritmo acelerado, optando por um ritmo lento, quase contemplativo, com longas tomadas que exploram as reações silenciosas e os pequenos detalhes — desde o guarda adormecido até as roupas velhas de James — que enriquecem o realismo do filme.

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Contexto histórico e social como cenário subjacente

Na delicada mise-en-scène, o filme utiliza o contexto político — a Guerra do Vietnã, as manifestações e o clima de descontentamento social — para mostrar como James permanece praticamente alheio a tudo isso, até que as consequências de suas ações pessoais o forçam a confrontar essa realidade. Reichardt sugere que, apesar da agitação ao redor, há segmentos da sociedade que se mantêm imunes, até que a própria vida os arrasta para o caos.

Ambientado em tons terrosos e cores outonais, com figurinos e cenários que evocam a nostalgia dos anos 70, o visual do filme é uma personagem à parte. A direção de fotografia de Christopher Blauvelt e o figurino de Amy Roth conferem autenticidade e textura, enquanto a trilha sonora de jazz com referências a Sun Ra, Coltrane e Bill Evans intensifica o clima melancólico e a sensação de um tempo que está acabando — o fim da década e da inocência de James.

O convívio de James com sua esposa Terri (Alana Haim), que é subexplorada mas fundamental, e seus encontros com amigos do passado, como Fred e Maude, revelam seu isolamento emocional e sua incapacidade de construir vínculos verdadeiros. A reação dos outros personagens, que ora o admiram, ora o repelem, espelha a dinâmica de autossabotagem que marca a trajetória do protagonista.

Crítica do filme The Mastermind (2025) - Flixlândia
Foto: Imagem Filmes / Divulgação

Conclusão

The Mastermind é um filme que desafia as convenções do cinema de assalto e oferece um retrato sutil e devastador de um homem que não sabe como ser outra coisa a não ser ele mesmo, com todas as suas falhas e vaidades. Kelly Reichardt conduz a narrativa com paciência e um olhar humanista, construindo um drama intimista que se desdobra lentamente e ressoa muito tempo depois de terminado.

Josh O’Connor, em sua atuação mais contida e poderosa, encarna com perfeição o encanto e a ruína de James Mooney, transformando este filme numa obra cativante, irônica e profundamente triste sobre os limites do charme e da ilusão.

Veja o trailer de The Mastermind (2025)

YouTube player

Onde assistir ao filme The Mastermind?

O filme “The Mastermind” estreou na quinta-feira, 16 de outubro de 2025, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Quem está no elenco de The Mastermind (2025)?

  • Josh O’Connor
  • Sterling Thompson
  • Alana Haim
  • Jasper Thompson
  • Bill Camp
  • Hope Davis
  • Eli Gelb
  • Cole Doman
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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