E aí, vamos falar sobre o episódio 2 da terceira temporada de Euphoria? Esse capítulo mergulha de cabeça na bagunça que se tornou a vida adulta desses personagens, jogando luz sobre temas pesados como sobrevivência, intimidade e a mercantilização da própria imagem.
Se a estreia da temporada já tinha deixado claro que as coisas seriam mais intensas e caóticas, esse segundo episódio vem para provar que o criador Sam Levinson não está nem um pouco a fim de pisar no freio, focando bastante em chocar o espectador.
Sinopse
Neste episódio, vemos a galera lidando com as consequências de tentar “vencer na vida”. Maddy consegue um emprego de baixo escalão em uma agência de talentos em Hollywood e acaba secretamente orientando a carreira no OnlyFans de sua antiga amiga (e rival) Cassie, que está completamente perdida em relação à própria identidade.
Enquanto isso, Nate tenta esconder do pai, Cal, e de todo mundo uma dívida perigosa de 550 mil dólares. Já Rue, que agora trabalha no clube de strip Silver Slipper para pagar sua dívida com o traficante Alamo, tem um reencontro inesperado com Jules, que assumiu a vida de sugar baby em um apartamento de luxo bancado por um homem casado.
Crítica do episódio 2 da temporada 3 de Euphoria
O mercado da própria imagem
O grande fio condutor deste episódio é que, basicamente, todo mundo está vendendo alguma coisa — seja o corpo, a imagem ou a própria identidade. Vemos Cassie desesperada por atenção, chegando ao ponto de criar ensaios bizarros e fetichistas (como se vestir de bebê ou usar sorvete derretido) só para monetizar sua imagem.
A série acerta ao fazer um paralelo sobre como a geração Z lida com a pressão estética e as redes sociais, mas acaba pecando pela superficialidade. Ao invés de realmente cavar a fundo o que se passa na cabeça fraturada da Cassie, a direção prefere focar apenas no aspecto visual e performático, o que deixa o arco dela meio vazio.
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Maddy, Cassie e as velhas dinâmicas de poder
A Maddy continua sendo uma das figuras mais magnéticas e inteligentes da série. É muito tocante e real descobrir que ela teve que segurar as pontas em casa depois que o salão da mãe faliu durante a pandemia. O reencontro dela com Cassie na beira da piscina rendeu o melhor diálogo do episódio. Quando Cassie, bêbada e confusa, pergunta “Mas quem sou eu?”, a gente sente a ironia de Maddy assumindo o controle.
Fica claro que Maddy não perdoou totalmente a amiga; a ajuda para alavancar o OnlyFans de Cassie parece uma jogada puramente calculada e financeira, e possivelmente uma forma de sabotar a vida dela com o Nate debaixo dos panos.
O reencontro agridoce de Rue e Jules
De longe, a jornada de Rue é a parte mais “pé no chão” e genuína do episódio. Os flashbacks mostrando o quanto ela chegou ao fundo do poço, ligando aos prantos para a mãe, são de cortar o coração e nos lembram do talento absurdo da Zendaya. No presente, a dinâmica dela com Alamo e o clube de strip tem uma aura perigosa, principalmente quando ela precisa levar a dançarina Angel para uma clínica de reabilitação que cheira a armadilha.
Mas o clímax emocional fica para a visita surpresa de Rue a Jules. O clima não é mais de romance adolescente de colégio; há uma distância fria ali. Jules agora veste grife e é sustentada por um homem mais velho. Ainda assim, a química entre as duas grita na tela. Aquele final meio flerte, com Jules perguntando se Rue não vai fazer companhia pra ela no banho, nos deixa roendo as unhas sem saber se elas vão cair nos mesmos erros tóxicos ou se foi só uma recaída passageira.
Choque pelo choque?
O principal problema de “America My Dream” é que a série parece refém da própria vontade de polemizar. Entre diálogos de traficantes que tentam forçar um estilo à la Quentin Tarantino e imagens extremas jogadas na tela, o episódio se torna meio cansativo.
O excesso de palavrões e cenas feitas puramente para gerar burburinho na internet acaba ofuscando o roteiro. A história atira para vários lados e não senta tempo suficiente com seus personagens para desenvolver de fato os sentimentos deles, tornando a experiência um pouco oca.
Conclusão
No fim das contas, o episódio 2 da temporada 3 prova que Euphoria ainda sabe brilhar nos detalhes e nas atuações, mas está perdendo um pouco do foco. As interações íntimas — como o jogo de xadrez verbal entre Maddy e Cassie, ou o silêncio pesado entre Rue e Jules — continuam excelentes.
Porém, quando a série prioriza o valor de choque visual em vez de contar uma boa história, a gente fica com aquela sensação de que falta algo mais autêntico. Resta saber se o resto da temporada vai conseguir equilibrar essa loucura estética com a profundidade emocional que fez a gente se apaixonar pela série no começo.
Onde assistir à série Euphoria?
Trailer da temporada 3 de Euphoria
Elenco da 3ª temporada de Euphoria
- Zendaya
- Hunter Schafer
- Eric Dane
- Jacob Elordi
- Sydney Sweeney
- Alexa Demie
- Maude Apatow
- Martha Kelly
- Chloe Cherry
- Adewale Akinnuoye-Agbaje
- Toby Wallace

















