Golpe Explosivo 2026 filme

‘Golpe Explosivo’ é divertido, mas absurdo – como qualquer obra pública em uma grande metrópole

Foto: Divulgação
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Se você acha que as obras na sua rua são um transtorno, prepare-se para o dia a dia de Londres. No thriller Golpe Explosivo (dirigido por David Mackenzie e escrito por Ben Hopkins), o trânsito da cidade não para por causa de um bueiro entupido, mas sim porque alguém achou uma bomba intacta da Segunda Guerra Mundial em um canteiro de obras em Paddington.

Enquanto a polícia corre em círculos evacuando metade da população para o Hyde Park, um bando de assaltantes muito espertos resolve que esse pânico coletivo é a cortina de fumaça perfeita para cavar um buraco e assaltar o Bank Al Muraqabah na Edgware Road. Afinal, quem vai notar uma britadeira gigante quando há uma ameaça de apocalipse termonuclear logo ao lado?

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Quem precisa de guerra quando se tem obras em Londres?

A premissa do filme tenta equilibrar duas das coisas mais estressantes do cinema: o desarmamento meticuloso de uma bomba (no melhor estilo Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow) e um assalto a banco de alta voltagem. O diretor David Mackenzie levou tão a sério a verossimilhança que consultou especialistas reais em desarmamento de bombas, como o ex-militar Nick Orr, para garantir que cada botão apertado pelo protagonista fizesse sentido técnico. Segundo o próprio diretor, esse tipo de achado arqueológico-militar acontece em Londres a cada seis meses (como a famosa bomba alemã de 450 kg encontrada em Bermondsey em 2015), o que significa que o verdadeiro milagre de Londres é a cidade ainda estar de pé.

Na primeira metade, o filme entrega exatamente o que promete: uma tensão sufocante. A câmera passeia por drones, foca no desespero controlado da Chief Superintendent Zuzana Greenfield (interpretada por Gugu Mbatha-Raw no modo “não ganho o suficiente para isso”) e no suor frio do Major Will Tranter (Aaron Taylor-Johnson), que parece levar o termo “trabalho sob pressão” a um nível literal de ferver a testa. A montagem rápida de Matt Mayer cria uma experiência sensorial quase claustrofóbica, alternando o silêncio tenso de uma chave de fenda tocando metal com o barulho brutal de marretas destruindo as paredes do cofre do banco.

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O assalto no meio da festa

(ou como roubar um banco usando furadeiras e muita cara de mau)

Enquanto o exército tenta não ir pelos ares, a gangue de assaltantes liderada por Giorgos “George” Karalis (Theo James) e seus comparsas — carinhosamente chamados de X (Sam Worthington), Y (Shaun Mason) e Z (Nabil Elouahabi), porque aparentemente economizaram no cartório para gastar em munição — está ocupada fazendo a limpa nos cofres do banco Al Muraqabah.

Mas é claro que, se tudo desse certo, o filme teria meia hora. A partir daí, o roteiro de Ben Hopkins resolve que uma simples história de assalto é simples demais para o espectador moderno e decide dar um triplo mortal carpado de reviravoltas que fariam qualquer especialista em lógica chorar no banho.

Descobrimos que a tal bomba de “WWII” na verdade era de fabricação do próprio Exército Britânico. E quem sabotou o tal “parador magnético de relógio” para fazer a bomba explodir de verdade? Sim, o nosso herói suado, Major Will Tranter! Acontece que ele, o assaltante George Karalis e o tradutor civil “inocente” Rahim (Elham Ehsas) eram melhores amigos de infância do crime.

Golpe Explosivo 2026 crítica do filme
Foto: Divulgação

A grande reunião de condomínio em Cabul

Para explicar como um militar condecorado britânico, um contrabandista grego de diamantes e um tradutor afegão se tornaram sócios em um assalto bilionário em Londres, o filme nos arrasta para um flashback explicativo tardio (que alguns críticos juram que parece uma cena pós-créditos gravada às pressas no estacionamento do estúdio).

Dez anos antes, no Afeganistão, George Karalis foi traído por seus empregadores e sequestrado. Sua caravana foi atingida por um dispositivo explosivo improvisado (IED) e, sob o fogo cruzado providenciado por Will Tranter e Rahim, Karalis desarmou minas terrestres com a agilidade de quem joga Campo Minado no nível difícil. Ali, entre poeira, tiros e explosivos reais, nasceu um pacto de amizade eterno. Quem precisa de terapia quando você pode planejar um roubo a banco internacional de dez anos para resolver suas crises existenciais com o sistema?

A amizade é linda, mas a execução do roubo na vida real vira um salve-se quem puder digno de comédia pastelão: George tenta passar a perna nos comparsas com diamantes falsos, chama uma gangue rival liderada por Ludo (Dragos Bucur) para amarrar os amigos em um celeiro, e acaba com a mão quebrada e trancado no porta-malas de um carro porque os diamantes que ele roubou também eram falsos! No fim das contas, Y morre de hemorragia, X e Z tentam sufocar George, e o Major Will Tranter chega de helicóptero atirando em todo mundo para salvar o amigo contrabandista. Um belo exemplo de “trabalho em equipe”.

Golpe Explosivo é um prato cheio de contradições: quer ser realista como Guerra ao Terror, misterioso como os filmes franceses de assalto de Alain Delon dos anos 1970, amoral como Fogo Contra Fogo (Michael Mann), mas termina parecendo aquele amigo que tenta te contar uma piada genial, se perde no meio do caminho e precisa explicar o final para ver se alguém ri.

Golpe Explosivo vale o ingresso ou melhor desarmar o wi-fi?

Se você procura um filme de ação que respeite sua inteligência na primeira hora, entregue cenas de tensão muito bem dirigidas e não abuse de cortes frenéticos à la TikTok, Golpe Explosivo é uma ótima pedida. Agora, se você espera que as reviravoltas finais façam algum sentido lógico sem precisar de um “PowerPoint de 10 anos atrás em Cabul”, é melhor ajustar suas expectativas.

Os astros Aaron Taylor-Johnson e Theo James entregam o carisma necessário para carregar a trama nas costas, mesmo quando o roteiro decide que todos eles devem fugir para Istambul e viver felizes para sempre com diamantes que misteriosamente viraram reais de novo. É divertido, é tenso, é um pouco absurdo — exatamente como qualquer obra pública em uma grande metrópole.

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Ficha técnica do filme Golpe Explosivo (2026)

Parâmetro TécnicoEspecificações da Produção
Título no BrasilGolpe Explosivo
Título OriginalFuze
DireçãoDavid Mackenzie
RoteiroBen Hopkins
Elenco PrincipalAaron Taylor-Johnson (Major Will Tranter), Theo James (Giorgos Karalis), Gugu Mbatha-Raw (Zuzana Greenfield), Sam Worthington (X), Elham Ehsas (Rahim)
Direção de FotografiaGiles Nuttgens
Trilha SonoraTony Doogan
GêneroAção, Policial, Heist Thriller
Duração96 a 98 minutos (dependendo da paciência do cronometrista)
País de OrigemReino Unido
Ano de Produção / Lançamento2025 (Festival de Toronto) / 2026 (Cinemas brasileiros em 28 de maio)
Distribuição NacionalDiamond Films
Orçamento / BilheteriaCerca de US$ 5 milhões mundialmente (mal pagou o seguro de vida de Paddington)
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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